As origens do fenômeno das plumas de gelo na Groenlândia foram esclarecidas após cerca de dez anos de estudos e debates na comunidade científica.
Pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega, concluíram que o fenômeno está associado a um processo de convecção térmica no interior da camada de gelo.
Esse mecanismo ocorre quando o gelo mais profundo, aquecido na base, passa a se mover lentamente, provocando deformações que se refletem na superfície da calota, que chega a quase 3 km de espessura.
Tecnologias que ajudaram a identificar a causa
A investigação teve início com a análise de imagens de radar capazes de penetrar a espessa camada de gelo. Os dados revelaram estruturas incomuns: em vez de camadas horizontais regulares de neve compactada, foram observadas deformações ascendentes semelhantes a grandes plumas.
Como o terreno sob o gelo é predominantemente plano, os pesquisadores descartaram a hipótese de que o relevo estivesse provocando essas formações. Para compreender o fenômeno, foram desenvolvidos modelos computacionais que simularam os movimentos internos da calota.
Os resultados indicaram que o calor proveniente do interior da Terra aquece a base da camada de gelo. Esse aquecimento torna o gelo basal relativamente menos denso, fazendo com que ele suba lentamente e desloque as camadas superiores mais frias e densas.
Implicações climáticas
A descoberta tem relevância no contexto das mudanças climáticas. A Groenlândia concentra uma das maiores reservas de água doce do planeta, e alterações na dinâmica interna do gelo podem influenciar a velocidade com que ele se desloca em direção ao oceano.
Se o movimento interno da calota for mais ativo do que se estimava, isso pode afetar projeções sobre a elevação do nível do mar. Compreender esse comportamento permite aprimorar os modelos climáticos utilizados para estimar os impactos do derretimento das calotas polares.
Desafios e perspectivas
A nova interpretação do funcionamento interno do gelo indica a necessidade de revisão constante dos modelos preditivos. Caso o aquecimento global continue intensificando o derretimento e alterando a estabilidade da calota, os efeitos poderão se ampliar em escala global.
O avanço nas pesquisas ajuda a refinar estimativas sobre a subida do nível do mar e contribui para o planejamento de estratégias de adaptação.
A atualização contínua desses estudos é considerada essencial para oferecer cenários mais precisos sobre os impactos climáticos nas próximas décadas.




