A Receita Federal confirmou que trabalha para tornar o processo automático nos próximos três anos, com o Fisco preparando a declaração e o contribuinte apenas conferindo e validando os dados.
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, anunciou a mudança na coletiva de encerramento do IRPF 2026.
“O objetivo é ampliar a simplificação do processo declaratório, tornando o Imposto de Renda cada vez mais automático”, afirmou.
O primeiro passo já aconteceu neste ano com o projeto piloto de restituição automática.
Nessa fase inicial, a Receita identificou cerca de 4 milhões de trabalhadores que não são obrigados a declarar, mas tiveram imposto retido na fonte em algum mês de 2025. Para esse grupo, o Fisco gerou a declaração e depositou a restituição direto no Pix, sem que o cidadão precisasse fazer nada, segundo o Ministério da Fazenda.
Por que o modelo muda
“Ele nem lembra que teve imposto retido, então não declara. E por não declarar, não recebe de volta o que é seu”, explicou Barreirinhas.
Com a automação, o próprio Fisco passa a cuidar do processo para esses contribuintes.
O caminho até esse ponto começou com a declaração pré-preenchida, que em 2022 atendia 2,5 milhões de pessoas. Em 2025, já respondia por mais da metade dos envios. Para 2026, a Receita projetava 60% das declarações nesse formato, segundo o Serpro, empresa pública responsável pela tecnologia do sistema.
Além disso, o IRPF 2026 estreou alertas em tempo real durante o preenchimento. O sistema avisa quando uma despesa médica foge do padrão, quando um valor parece digitado errado ou quando há inconsistência nos dados.
Por isso, o número de contribuintes que caíram na malha fina recuou em relação ao ano anterior.
O que muda para o contribuinte
O modelo previsto pela Receita funciona como uma confirmação: o Fisco monta o rascunho com tudo que já sabe, e o contribuinte revisa, corrige e aprova.
Quem tem situações mais complexas, como ganhos na Bolsa, imóveis alugados ou renda no exterior, ainda precisará preencher informações complementares.
Para a maioria dos assalariados, porém, a tendência é que a declaração vire uma tela de revisão rápida, não um formulário longo, segundo Wilton Mota, presidente do Serpro.
O IRPF 2026 encerrou com 44.498.717 declarações recebidas, recorde histórico. O Ministério da Fazenda antecipou R$ 16 bilhões em restituições antes do fim do prazo, com 56,1% dos declarantes com valores a receber, conforme confirmou o ministro Dario Durigan.
Quando a mudança chega de vez
A Receita não definiu uma data exata para o modelo totalmente automático, Barreirinhas indicou que o horizonte é de até três anos para ampliar o piloto e cobrir a maior parte dos contribuintes.
O marco legal que sustenta essa transformação é a Lei Complementar nº 225/2026, que formalizou a postura de uma Receita orientadora em vez de repressiva.
“Estamos saindo de um modelo reativo para um modelo que antecipa os problemas dos contribuintes”, disse Barreirinhas.




