Enquanto diversos países no mundo têm a segurança no trânsito como um de seus principais e mais debatidos temas, uma nação europeia ganha destaque por adotar uma medida inversa à tendência mundial: a Alemanha. O país adota um modelo de rodovias em que não há limite de velocidade para os motoristas que as trafegam, as chamadas “Autobahn”, grandes rodovias federais. Mas apesar da suposta insegurança, uma mistura de infraestrutura e educação faz da Alemanha um dos países com menor número de acidentes de trânsito.
Apesar de não ser um consenso na classe política alemã, com alas mais conservadoras atuando em prol de impor limites de velocidade, cerca de 70% das autobahns não possuem limite. Nessas rodovias vigem apenas uma “velocidade máxima recomendada” de 130 km/h aos motoristas.
Isso acontece porque o país vem projetando as vias com o foco em dar suporte a tráfego intenso e em alta velocidade. No caso, as vias são projetadas não apenas para facilitar o trânsito de automóveis, mas também para fornecer segurança. As curvas são mais abertas, as inclinações são calculadas e a pavimentação recebe manutenção constante para evitar rachaduras e buracos que podem desestabilizar os carros.
Além das questões estruturais, o país também põe ênfase na educação do trânsito e na sinalização clara. As autobahns possuem características como amplos acostamentos, faixas largas, barreiras de proteção em trechos críticos, entradas e saídas facilitadas para evitar engarrafamentos. No caso de rodovias reguladas, há painéis eletrônicos que atualizam os limites de forma dinâmica e em tempo real baseados nas condições da via.
Tentativas de impor limites
Os debates existem desde a década de 70 e também ganham fôlego até hoje. Durante a crise do petróleo, entre novembro de 1973 e março de 1974, o país chegou a adotar limite temporário de 100 km/h em rodovias para economizar combustível. A medida provocou forte reação popular e acabou revogada.
Na mesma época, o número de mortes no trânsito havia atingido quase 20 mil em um único ano. Por isso, as autoridades testaram limite de 100 km/h em estradas rurais fora das Autobahns. Esse limite continua em vigor até hoje.
Nos últimos anos, o argumento ambiental ganhou força. Grupos defendem limite geral para reduzir emissões de CO2. No entanto, o governo atual mantém a posição de que o tema não merece prioridade.
Especialistas lembram que a Alemanha registra um dos menores índices de acidentes fatais em rodovias da Europa, apesar da ausência de limite obrigatório. A combinação entre boas estradas e motoristas bem treinados ajuda a explicar o resultado.
Por que não há limite?
As autobahns têm sua permanência ligada à cultura automotiva da Alemanha, que é conhecida por seus carros de alta potência, como Porsche e a BMW. O país passou por diversas legislações de trânsito na década de 1900, com diferentes limites impostos.
No entanto, por volta dos anos 70, todos os motoristas podiam acelerar sem restrição fora das cidades. Com o tempo, as autoridades criaram regras específicas para estradas rurais. Já nas Autobahns, a liberdade permaneceu como regra geral.





