O mercado de escritórios em São Paulo está aquecido pela primeira vez desde a pandemia, as grandes empresas estão trazendo seus funcionários de volta ao presencial.
O movimento pressiona a oferta de imóveis em regiões como Faria Lima, Paulista, Chucri Zaidan e Pinheiros, onde a demanda cresce enquanto poucos novos prédios estão em construção.
Carlos Martins, sócio executivo da gestora Kinea, afirmou no evento GRI Fundos Imobiliários 2026, realizado na semana passada em São Paulo, que o crescimento não vem de novas contratações:
“São as empresas colocando de volta no escritório pessoas já contratadas”, disse.
Ele citou o Nubank como exemplo, a empresa, conhecida por defender o trabalho remoto, mudou de posição e alugou grandes espaços para reunir o time presencialmente.
Cassiano Jardim, diretor da Barzel Properties, confirmou que as empresas de maior porte foram as últimas a retornar. Pequenas e médias já tinham voltado ao presencial há mais tempo. “As grandes estão voltando só agora”, disse.
No conjunto de prédios administrado pela Barzel, incluindo o Pinheiros One, a taxa de imóveis vagos caiu de 30% para menos de 10% nos últimos dois anos.
Prédios precisam se reinventar
Trazer o funcionário de volta ao escritório não é suficiente. Os próprios trabalhadores passaram a exigir mais dos espaços: restaurantes, academia, barbearia e facilidades que antes eram encontradas apenas em condomínios residenciais ou shoppings. O Pinheiros One, antigo endereço da Odebrecht, ganhou dois restaurantes, barbeiro e academia depois da retomada.
Martin Jaco, presidente da BGR, gestora do prédio B32 na Faria Lima, afirmou que as empresas inquilinas pedem mudanças concretas. Além de alimentação e serviços dentro do edifício, há demanda por horários de expediente mais flexíveis e por diferentes formas de acesso ao local, incluindo bicicleta e patinete.
“Tem gente que chega muito mais cedo ou sai bem mais tarde, e aí precisa de um serviço de café e academia”, disse Jaco.
Falta espaço em São Paulo
Com a demanda crescendo mais rápido do que a oferta de novos imóveis, gestores do setor estimam que algumas regiões de São Paulo vão registrar escassez de áreas disponíveis nos próximos anos.
Prédios com boa localização, estrutura de serviços e qualidade de engenharia já têm fila de espera por parte de potenciais inquilinos.
Para 2027, o setor aguarda a entrega de novos projetos em regiões adjacentes à Faria Lima, o que deve ampliar a oferta de forma mais equilibrada com a demanda atual.



