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Comerciantes são impedidos de vender Coca-Cola por conta de figurinhas da Copa do Mundo

Por Júlio Nesi
11/06/2026
Em Geral
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Foto: Coca-Cola / Divulgação

Foto: Coca-Cola / Divulgação

Uma onda de furtos e vandalismo tem causado prejuízos a redes de supermercados em todo o Brasil. O motivo é a “caça” às figurinhas exclusivas da Copa do Mundo de 2026, distribuídas em uma promoção conjunta entre a Coca-Cola e a Panini. Colecionadores têm arrancado os rótulos das garrafas diretamente nas prateleiras para obter os cromos.

De acordo com as autoridades, a campanha, que estampa 14 figurinhas de jogadores como Lamine Yamal, Harry Kane e Gabriel Magalhães no verso dos rótulos das versões de 600 ml e de 2,5 litros, transformou as gôndolas em alvo de furtos. Devido a isso, dezenas de garrafas são violadas e deixadas sem rótulo nas prateleiras dos mercados.

Impacto financeiro

O maior problema, segundo os comerciantes, sequer é a remoção da figurinha em si, e sim a remoção do rótulo. Sem os rótulos, o produto fica sem duas características críticas que viabilizam seu consumo e comercialização: o código de barras e informações legais obrigatórias.

Primeiramente, sem o código de barras, o item não pode ser registrado no caixa. Em segundo lugar, a ausência das informações legais (validade, lote e ingredientes) viola normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Código do Consumidor (CDC).

Diante do prejuízo, a Coca-Cola assumiu a responsabilidade pela ação promocional e está reembolsando integralmente os varejistas ou substituindo os lotes danificados.

“A Coca-Cola é quem faz o ressarcimento. O distribuidor não tem rótulo para colocar e o supermercado também não”, explicou um representante do setor. Apesar do reembolso, a operação gera custos logísticos extras e perda de tempo para as equipes das lojas, que precisam identificar e separar cada unidade avariada.

Relatos indicam que o índice de perdas no varejo, que já vinha em alta, foi impactado diretamente por esses episódios.

Medidas de emergência

Para conter a sangria, supermercados de redes como Carrefour, Assaí, Sondas e Oxxo adotaram medidas temporárias de segurança. A estratégia mais comum foi a retirada das garrafas promocionais das prateleiras de autoatendimento. No entanto, algumas redes vêm adotando medidas mais rígidas.

Entre as novas medidas, estão a vigilância no caixa, com produtos movidos para balcões próximos aos operadores de caixa, sendo entregues apenas no momento do pagamento. Outra medida é a proteção física dos produtos. Em algumas unidades, os rótulos foram cobertos com fitas adesivas grossas para dificultar o destaque.

Além dessas medidas, algumas redes deixaram de enviar os lotes promocionais para certas lojas com alto histórico de furtos.

Crime de furto

Com a repercussão desses episódios, especialistas vêm alertando que a prática configura crime de furto. Mesmo que o produto em si não seja o alvo e sim um “brinde” incluso no item, a prática continua sendo furto.

Referenciado no artigo 155 do Código Penal, esse crime tem pena que vai até quatro anos de reclusão, além de multa. Além disso, a ação também estimula um mercado ilegal: kits com as 14 figurinhas exclusivas começaram a aparecer em sites como Mercado Livre e Shopee, com preços variando entre R$ 62 e R$ 89.

Vale ressaltar, no entanto, que o Mercado Livre já iniciou a remoção desses anúncios, informando que a venda separada das figurinhas viola o regulamento da promoção.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Tags: brasilcoca-colacopa do mundo 2026crimefigurinhas da Copa do Mundo 2026furtoPaniniPolêmicasupermercados
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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