A redução acelerada da população de jumentos no Nordeste brasileiro tem acendido um alerta entre especialistas e ambientalistas.
Com cerca de 60 mil jumentos abatidos por ano, a espécie corre risco de extinção no país. O cenário é impulsionado, principalmente, pela crescente demanda internacional e pela ausência de um sistema estruturado de criação sustentável.
Grande parte dessa pressão vem da produção do ejiao, uma substância utilizada na medicina tradicional chinesa, feita a partir da pele dos jumentos.
Esse comércio tem esvaziado áreas rurais do Nordeste e provocado impactos diretos no equilíbrio ambiental, já que o Brasil não tem uma cadeia produtiva capaz de repor a população desses animais. A situação se agrava ainda mais devido à baixa taxa de reprodução da espécie.
Queda da população de jumentos
A crise é intensificada pela falta de políticas efetivas de conservação e reprodução. Dados históricos mostram uma queda preocupante: na década de 1990, o Brasil contava com cerca de 1,37 milhão de jumentos; em 2025, esse número caiu para aproximadamente 78 mil.
Sem medidas de proteção, especialistas alertam que a extinção pode ocorrer em poucos anos. Além da perda ambiental, há também impactos econômicos e culturais.
O jumento é um símbolo de resistência no Nordeste e desempenha papel importante em comunidades rurais, sendo historicamente utilizado no transporte e em atividades do dia a dia.
Riscos sanitários
Outro ponto considerável envolve as condições de abate, que levantam preocupações sanitárias. A falta de controle rigoroso faz com que muitos animais sejam abatidos sem histórico veterinário adequado, aumentando o risco de disseminação de doenças como o mormo.
O mormo é uma zoonose que pode ser transmitida aos seres humanos, representando risco para trabalhadores e comunidades que mantêm contato direto com os animais.
Preservação cultural e ambiental
A conservação dos jumentos vai além da proteção de uma espécie: trata-se também da preservação de um importante patrimônio cultural brasileiro.
Para reverter esse quadro, especialistas defendem a implementação de políticas públicas voltadas ao manejo sustentável, incluindo programas de reprodução e medidas mais rígidas contra o abate indiscriminado.
Sem uma resposta rápida, o país pode perder não apenas um elemento importante da sua biodiversidade, mas também um símbolo profundamente enraizado na cultura nordestina.




