Um avanço científico realizado por pesquisadores brasileiros tem potencial para reverter o declínio populacional dos jumentos, ameaçados por uma intensa exploração comercial.
No Paraná, uma nova técnica de biotecnologia foi anunciada, focada na produção de colágeno em laboratório através da fermentação de precisão. Este método pode eliminar a necessidade de abates, preservando a espécie Equus asinus.
Avanços na fermentação de precisão
A técnica de fermentação de precisão foi desenvolvida para enfrentar a exploração predatória dos jumentos. Consiste na modificação genética de microrganismos para gerar colágeno de forma sustentável.
Essa abordagem não só elimina a necessidade do abate, mas também pode atender à demanda internacional, sobretudo da China, onde o ejiao (produto tradicionalmente feito com colágeno de pele de jumento) é amplamente utilizado na medicina.
A nova metodologia foi detalhada durante o 13º Congresso Mundial de Alternativas e Uso de Animais nas Ciências da Vida no Rio de Janeiro, em setembro.
Impacto da demanda global
Nos últimos anos, a alta demanda por colágeno provocou a queda de 94% na população de jumentos no Brasil.
A situação tornou-se crítica na Bahia, estado que concentra os únicos frigoríficos autorizados para este tipo de abate. Desde 2018, aproximadamente 248 mil jumentos foram mortos, destacando a urgência de soluções.
A moratória imposta por países africanos sobre o comércio de peles de jumento ilustra medidas emergenciais globais frente a essa crise.
Consequências culturais e econômicas
No Brasil, os jumentos são mais do que um recurso: representam um legado cultural, especialmente no Nordeste. Tradicionalmente utilizados na agricultura familiar, começaram a ser substituídos por motocicletas.
Agora, novos usos estão sendo considerados, incluindo projetos terapêuticos e de reinserção cultural. Essa mudança pode revitalizar a relevância dos jumentos como elementos históricos e socioeconômicos.
Desafios para implementação
Apesar das promessas, a implementação da fermentação de precisão enfrentará dificuldades. Será necessário um investimento considerável em infraestrutura, além de aprovações regulatórias nacionais e internacionais.
As expectativas estão voltadas para 2026, quando se espera que os primeiros resultados surjam, oferecendo uma alternativa viável ao abate.





A exploração comercial do jumento é que pode ser a salvação dele. Por que não existe preocupação com a extinção do gado? Porque vale a pena criar embora se abatam milhares de cabeças. Se o jumento passar a ter expressão economica muita gente vai querer criar e reproduzi-los. Essa é a lógica.