A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) alertou que existe uma alta chance de acontecer a formação do “El Niño” neste ano, o que pode afetar o clima do Brasil. A informação consta no Boletim da Previsão Climática (CPC), divulgado neste mês, e aponta que o fenômeno climático pode afetar o país entre julho e agosto.
De acordo com o comunicado, há uma chance de 62% do fenômeno se formar ainda neste ano. O último El Niño registrado começou em 2023 e continuou até a primeira metade de 2024. Desde então o fenômeno “La Niña” tem predominado, que ficou até abril de 2025, se desfez e então se reformou em outubro do mesmo ano.
O que são El Niño e La Niña?
Tanto o El Niño quanto a La Niña são fenômenos que afetam o oceâno Pacífico e a atmosfera do planeta Terra. O El Niño é o aquecimento anormal dessas águas, causando chuvas no Sul do Brasil e seca no Norte/Nordeste. A La Niña é o resfriamento, gerando o efeito oposto: seca no Sul e mais chuvas no Norte/Nordeste.
Além do Brasil, cada um desses fenômenos afeta o clima em diversos outros países. O El Niño geralmente provoca secas na Austrália e Indonésia e invernos mais quentes e úmidos no Sul do Brasil. Já a La Niña, além das secas no sul, provoca mais chuvas e até tempestades ciclônicas em outros países como Austrália e Indonésia.
Esses fenômenos, que ocorrem a cada 2 a 7 anos, têm impacto global, alterando a agricultura, o regime de chuvas e as temperaturas.
Desastres no RS
A passagem do último El Niño foi especialmente chamativa no Brasil, pois causou as chuvas que resultaram no maior desastre climático que já assolou a região sul do país.
No caso foram as diversas inundações registradas em diversos municípios do Rio Grande do Sul (RS), que resultaram em mortes, perdas materiais, prejuízos econômicos e grandes danos à agricultura e à pecuária regional.
De acordo com dados divulgados pelo governo federal, cerca de 2,4 milhões de pessoas de 478 municípios foram afetadas pelas fortes chuvas, com grande parte perdendo suas casas. Além disso, as inundações causaram 183 mortes.




