A China apresentou à União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), responsável por coordenar o uso de frequências e posições orbitais, pedidos para lançar quase 200 mil satélites na órbita terrestre baixa.
Esses documentos foram protocolados no final de dezembro de 2025 por um novo órgão estatal chamado Instituto de Utilização do Espectro de Rádio e Inovação Tecnológica.
O que são as constelações CTC-1 e CTC-2
Os pedidos envolvem dois grandes projetos de constelações de satélites batizados de CTC-1 e CTC-2, cada um com 96.714 satélites distribuídos em milhares de órbitas diferentes.
Se efetivados, esses planos seriam muito maiores do que a maior rede de satélites comerciais em operação hoje, a Starlink, da empresa americana SpaceX.
Possíveis usos e controvérsias
As autoridades chinesas ainda não divulgaram detalhes oficiais sobre a finalidade dos satélites, o que alimentou especulações.
Especialistas em segurança espacial afirmam que essas constelações poderiam ter aplicações em segurança eletromagnética, defesa integrada, monitoramento do espaço aéreo e vigilância, funções que lembram sistemas usados por forças militares em outros países.
Ao registrar esses pedidos na UIT, a China ocupa posições orbitais e frequências que outros operadores também desejam. Isso significa que os concorrentes terão de demonstrar que seus satélites não causarão interferência, o que pode criar barreiras técnicas e estratégicas no futuro.
Disputa global pelo espaço
O movimento ocorre em meio a uma disputa crescente entre China e Estados Unidos pelo controle da órbita terrestre baixa, considerada hoje um dos ativos mais importantes para comunicações, defesa e observação da Terra.
A China tem aumentado rapidamente sua presença espacial na última década, passando de poucas dezenas de satélites no início dos anos 2010 para cerca de mil atualmente.
Viabilidade e desafios
Apesar da ambição dos projetos, muitos especialistas questionam sua viabilidade prática. Segundo as regras da UIT, pelo menos um satélite precisa ser lançado em até sete anos após a solicitação, e a constelação completa deve ser concluída em até 14 anos.
Para isso, seriam necessários lançamentos em um ritmo muito maior do que o atual, algo considerado improvável com a capacidade de produção e lançamento de satélites da China hoje.
Impacto no futuro das comunicações e espaço
Caso esse plano seja levado adiante, mesmo que de forma parcial, ele teria impactos profundos na forma como o espaço é utilizado, podendo alterar o equilíbrio competitivo no setor de satélites de comunicação globalmente.
A chamada “megaconstelação” chinesa, mesmo que permaneça apenas no papel por ora, já chama a atenção de governos, empresas e analistas por marcar território orbital e evidenciar a corrida estratégica pelo domínio das comunicações via satélite.




