Os amantes de café começaram a notar uma “dor” no bolso ultimamente. O valor do produto vem aumentando e os principais motivos são a guerra entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio e o fenômeno do El Niño. Ambos impactam de maneiras distintas, mas contribuem para o aumento do preço do café.
O que a guerra tem a ver com o café?
De acordo com especialistas, a guerra no Oriente Médio tem um papel direto na alta dos preços do café no Brasil, principalmente por afetar a logística global de transporte marítimo. Conflitos na região elevaram os riscos nas rotas comerciais, especialmente no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, pontos cruciais para o escoamento de commodities.
Devido a isso, os custos do frete aumentaram drasticamente, com o valor de um contêiner subindo de US$ 1,8 mil para até US$ 7 mil. Essa pressão encarece toda a cadeia produtiva, desde a exportação do grão até a importação de insumos como fertilizantes.
Além disso, a instabilidade geopolítica contribui para a valorização do dólar frente ao real, o que também impacta os preços internos, já que o café é negociado internacionalmente em moeda norte-americana. Com o dólar mais alto, os exportadores ajustam os preços no mercado doméstico, repassando a valorização ao consumidor final.
El Niño e condições climáticas desfavoráveis
O fenômeno El Niño em 2026 alterou os padrões de chuva e elevou as temperaturas acima da média histórica nas principais regiões cafeeiras do Brasil, especialmente em Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia.
Esse cenário de calor excessivo e irregularidade pluviométrica, que gera secas, afetou diretamente as fases críticas do ciclo do café, como a floração e o enchimento dos grãos, reduzindo a produtividade e a qualidade da bebida.
Além disso, a produção de café arábica também foi afetada. Nas regiões produtoras do Sudeste, o estresse térmico provocou o encolhimento das cerejas e reduziu o tamanho dos grãos, comprometendo o potencial de qualidade. Além disso, o calor antecipado e a menor ocorrência de frio aumentaram o risco de floradas fora de época, o que pode impactar negativamente a próxima safra
Vai voltar ao normal?
Apesar dos desafios, especialistas indicam que novos plantios e a resiliência do café arábica podem compensar parcialmente as perdas. Projeções apontam para exportações recordes na safra 2026/27, desde que as condições climáticas melhorem.
No entanto, o cenário de mudanças climáticas contínuas exige adaptações no manejo, como ajustes no sombreamento, na conservação do solo e no monitoramento por talhão.





