O Ministério da Saúde deu início a um projeto inovador para aprimorar o tratamento do diabetes no Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a substituir gradualmente a insulina humana NPH pela insulina glargina, um análogo de ação prolongada e tecnologia mais recente.
A iniciativa busca melhorar o controle glicêmico dos pacientes e reduzir complicações associadas à doença.
O projeto-piloto está em andamento no Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal, alcançando uma parcela significativa da população atendida pela rede pública.
Implementação da insulina glargina no SUS
A adoção da insulina glargina responde a desafios logísticos na distribuição e à necessidade de modernização das canetas aplicadoras. Com duração de até 24 horas, o medicamento exige apenas uma aplicação diária, o que facilita a adesão ao tratamento.
Mais de 50 mil pacientes devem ser beneficiados nesta primeira fase, incluindo crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 e idosos com mais de 80 anos.
Produção nacional e transferência de tecnologia
Um dos destaques do projeto é a produção nacional da insulina glargina. A iniciativa resulta de uma parceria entre o laboratório público Bio-Manguinhos (Fiocruz), a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee.
O acordo prevê a transferência de tecnologia para o Brasil, fortalecendo a autonomia do país no setor farmacêutico. Em 2025, mais de 6 milhões de unidades foram entregues ao SUS, com a meta de alcançar 36 milhões até o fim de 2026, assegurando o abastecimento da rede pública.
Combate ao desabastecimento e ampliação do acesso
A introdução da glargina também é uma resposta ao desabastecimento de insulina humana registrado nos últimos anos. Com a fabricação local, o Brasil reduz a dependência de importações e garante maior estabilidade no fornecimento.
Na rede privada, o custo desse tratamento pode chegar a R$ 250 para dois meses. A oferta gratuita pelo SUS amplia o acesso a uma terapia mais moderna e alinhada às melhores práticas internacionais.
Benefícios para pacientes e para o sistema de saúde
A transição tende a proporcionar um controle glicêmico mais estável, com menor risco de episódios de hipoglicemia. Como consequência, a expectativa é de redução nas internações e atendimentos de urgência, aliviando a pressão sobre o sistema público.
Os ganhos são duplos: melhora na qualidade de vida dos pacientes e maior eficiência operacional para o SUS.
Avaliação e próximos passos
Desde janeiro, as equipes de saúde envolvidas passam por treinamentos específicos para a implementação do projeto-piloto. A avaliação dos resultados clínicos e da adesão dos pacientes será determinante para a expansão da iniciativa a outras regiões do país.
O acompanhamento contínuo e a coleta de dados ao longo da transição permitirão ajustes conforme as necessidades reais da população, garantindo um modelo de cuidado mais eficaz no tratamento do diabetes pelo SUS.



