Sarah Wynn-Williams entrou com ação judicial nesta quinta-feira (25) contra a Meta Platforms, empresa controladora do Facebook, no Tribunal Distrital Federal da Califórnia.
O objetivo é derrubar uma decisão arbitral que a impede de falar publicamente sobre o livro que escreveu com base nos anos em que trabalhou na companhia.
Neozelandesa, Wynn-Williams trabalhou no Facebook de 2011 a 2017 e chegou ao cargo de diretora global de políticas públicas. Em março de 2025, publicou “Careless People: A Cautionary Tale of Power, Greed, and Lost Idealism”, em que relata o que descreve como uma cultura interna tóxica, decisões tomadas sem escrutínio e comportamentos inadequados de executivos de alto escalão.
Entre as acusações do livro estão assédio sexual pelo então chefe direto de Wynn-Williams, Joel Kaplan, e alegações de que o fundador Mark Zuckerberg teria buscado um acordo com autoridades chinesas que incluiria acesso a dados pessoais de milhões de usuários.
A Meta nega as acusações e classifica o livro como “uma mistura de alegações desatualizadas com falsas acusações sobre nossos executivos”.
Como a empresa tentou silenciá-la
Antes mesmo do lançamento oficial, a Meta acionou uma arbitragem privada em Chicago, em março de 2025, sem a presença de Wynn-Williams.
Um árbitro de emergência emitiu uma ordem provisória proibindo a autora de promover o livro, conceder entrevistas ou falar publicamente sobre a empresa, enquanto o caso avança.
Além disso, a empresa cobra US$ 50 mil por cada violação da cláusula de não difamação presente no contrato de rescisão que ela assinou em 2017, tratando cada exemplar vendido como uma infração separada.
Também consta na ação que cerca de US$ 310 mil em despesas pré-aprovadas, entre viagens realizadas em nome de Zuckerberg e outros executivos, foram retidas como forma de pressão.
O argumento jurídico
Wynn-Williams argumenta que a ordem arbitral viola a Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão, e que o contrato de rescisão foi assinado sob pressão.
Também cita compromisso público da Meta de 2018, em que a empresa anunciou o fim da arbitragem obrigatória para casos de assédio sexual, e uma declaração de 2022 em que disse não vincular funcionários a acordos que os impeçam de falar sobre o ambiente de trabalho.
“Nunca vi a Meta ir atrás de alguém com tanta dureza quanto Sarah”, afirmou Corey Stoughton, um dos advogados da autora, à revista Inc. Questionada sobre o motivo, respondeu: “Eles têm medo do que ela disse.”



