Depois de mais de duas décadas apostando nos motores flex, a Chevrolet decidiu resgatar uma tecnologia que praticamente desapareceu das concessionárias brasileiras: os carros movidos exclusivamente a etanol.
A montadora confirmou que os novos Onix Eco, na versão hatch, e Onix Plus Eco, na versão sedã, devem chegar ao mercado em 2027.
A iniciativa representa uma mudança importante de estratégia em um segmento que, desde o início dos anos 2000, passou a ser dominado pelos veículos bicombustíveis.
Na prática, os motores flex transformaram o mercado ao permitir que os consumidores escolhessem entre gasolina e etanol conforme o preço e a disponibilidade dos combustíveis.
Agora, porém, a General Motors avalia que o cenário regulatório pode voltar a favorecer veículos desenvolvidos especificamente para combustíveis renováveis.
Segundo a empresa, a aposta está diretamente ligada ao potencial ambiental do etanol brasileiro e às mudanças tributárias que começam a redesenhar os planos da indústria automotiva.
Reforma tributária entra no radar das montadoras
O novo mecanismo poderá considerar critérios ambientais na definição da carga tributária de determinados produtos, incluindo veículos.
Estudos do setor sucroenergético apontam que o combustível produzido a partir da cana-de-açúcar pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação à gasolina quando todo o ciclo produtivo é levado em consideração.
Além disso, especialistas avaliam que motores desenvolvidos exclusivamente para o etanol podem alcançar níveis de eficiência superiores aos observados nos atuais veículos flex, já que são projetados para aproveitar ao máximo as características do combustível.
Brasil oferece um cenário favorável
O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo e produziu mais de 35 bilhões de litros do combustível na safra 2024/2025, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
Além da produção em larga escala, o país conta com uma extensa rede de distribuição preparada para abastecer veículos movidos pelo combustível.
Hoje, cerca de 90% dos automóveis leves vendidos no mercado brasileiro utilizam motores flex, um reflexo da forte presença do etanol na matriz energética nacional.




