O mecanismo é biológico e sem precedentes: não é o açúcar que melhora a memória por mágica, mas sim o fato de consumi-lo depois de aprender algo novo, aliado a um bom descanso. Portanto, o momento do consumo pesa mais do que a quantidade ingerida.
A pesquisa foi realizada com a espécie Drosophila melanogaster no Laboratório de Plasticidade Cerebral de Paris, ligado ao CNRS, e liderada pelos pesquisadores Thomas Preat e Pierre-Yves Plaçais.
A mosca-da-fruta serve como modelo científico justamente por compartilhar mecanismos biológicos fundamentais com outros animais.
O mecanismo no cérebro
O aprendizado provoca o “sequestro” dos neurônios detectores de frutose no cérebro das moscas, gerando uma espécie de “fome não homeostática” temporária, que ocorre mesmo quando os animais estão completamente saciados.
Em seguida, quando as moscas consumiam açúcar após o aprendizado, esses neurônios se ativavam de forma intensa, desencadeando a liberação do hormônio thyrostimulin, que fortalece a memória de longo prazo.
Além disso, quando os cientistas bloquearam esses neurônios logo após o treinamento, as moscas não conseguiam formar memórias duradouras.
Um detalhe relevante complementa a descoberta: o efeito não ocorreu quando as moscas consumiam apenas gordura. Isso indica que o sinal metabólico específico do açúcar é determinante para o processo.
E em humanos?
Estudos realizados com pessoas já observaram efeitos temporários da glicose em funções cognitivas, como memória verbal, memória episódica e tarefas ligadas ao hipocampo.
Todavia, os pesquisadores são enfáticos: isso não significa exagerar no consumo.
A consolidação da memória acontece predominantemente durante o sono e períodos de repouso. Portanto, o açúcar prepara o terreno biológico, mas é o descanso que efetivamente estabiliza o conteúdo aprendido no cérebro.




