O Brasil se tornou uma das três principais prioridades globais da Acciona, gigante espanhola de infraestrutura presente em mais de 30 países e com faturamento de 21 bilhões de euros no último ano.
“Fora da Península Ibérica, existem três outros grandes potenciais para nós: Austrália, EUA e Brasil”, afirmou André De Angelo, CEO da Acciona no país, em entrevista à imprensa brasileira.
A guinada brasileira na estratégia da empresa começou com a assunção da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo, projeto que De Angelo acredita ser um “divisor de águas” para a operação local.
Hoje, a Acciona tem receita anual de 600 milhões de euros no Brasil, equivalente a cerca de R$ 3,6 bilhões na cotação atual, e ocupa a segunda posição entre as maiores empresas de engenharia do país.
Os projetos em andamento
A Linha 6 do metrô paulistano, que liga a Brasilândia à Liberdade, deve começar a operar parcialmente ainda em 2026 e de forma completa até 2027, atendendo cerca de 630 mil passageiros por dia.
Paralelamente, a empresa expandiu para o setor de saneamento básico, arrematando contratos de parceria público-privada com a Sanepar, no Paraná, a Cesan, no Espírito Santo, e a Compesa, em Pernambuco.
A companhia também venceu licitação de R$ 2,1 bilhões para um trecho rodoviário na zona sul de São Paulo, com cerca de cinco quilômetros de extensão.
Os próximos alvos
A Acciona sinaliza interesse em expandir para ferrovias, data centers e energia renovável no Brasil. Entre os projetos citados pelo CEO estão a EF-118, conhecida como Anel Ferroviário do Sudeste, e a Ferrogrão, rota ferroviária que conectaria o Mato Grosso ao Pará.
“Ferrovias, data centers e energias renováveis estão no radar”, disse De Angelo.
A empresa também demonstrou interesse no túnel Santos-Guarujá e no novo centro administrativo do governo paulista, no bairro de Campos Elíseos. Segundo o executivo, o sucesso desses projetos depende de o governo federal modelar as concessões de forma que garantam rentabilidade adequada à iniciativa privada.
No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o Investimento Estrangeiro Direto somou US$ 79,1 bilhões, o maior valor para o período desde 2017, segundo dados oficiais do Banco Central.




