Há uma estatística que persegue a Argentina desde os dias de Diego Maradona em 1990: em 36 anos, a Albiceleste não venceu um campeão mundial com a bola rolando em Copas do Mundo. Mesmo tricampeã desde 2022, a seleção argentina carrega essa marca; todos os triunfos contra potências como Alemanha, França e Itália nas últimas décadas foram decididos nos pênaltis.
Essa história começou em junho de 1990, no Estádio Delle Alpi, em Turim. A Argentina, campeã em 1986, enfrentava o Brasil nas oitavas de final. Em uma jogada isolada, Maradona escapou pela direita e serviu Claudio Caniggia, que marcou o único gol da partida aos 80 minutos. Foi a última vez que a Argentina derrotou um campeão mundial no tempo regulamentar em um Mundial.
Desde então, a história vem se repetindo para a Seleção Argentina, com empates seguidos de decisões nos pênaltis.
Argentina presa nos pênaltis: linha do tempo
Desde a vitória contra o Brasil, em diversos jogos contra outros gigantes mundiais, a Argentina seguiu vencendo em jogos que seguiram além do tempo regular até os pênaltis. Segue o histórico:
- Itália (1990): Empate em 1 a 1 na semifinal. Vitória nos pênaltis por 4 a 3.
- Inglaterra (1998): 2 a 2 após 120 minutos nas oitavas. Argentina vence nos pênaltis.
- Alemanha (2006, 2010, 2014): Três confrontos, zero vitórias no tempo normal. Derrotas em 2010 (0 a 4) e 2014 (0 a 1 na final), além de eliminação nos pênaltis em 2006.
- França (2018, 2022): Derrota por 3 a 4 em 2018; em 2022, um épico 3 a 3 na final de Lusail, decidido apenas nas penalidades.
O Albiceleste levou o título em 2022, mas seguiu em jejum
A conquista da Copa de 2022, liderada por Lionel Messi, encerrou um jejum de 36 anos sem títulos mundiais para a Argentina. No entanto, a vitória sobre a França só veio após uma disputa de pênaltis. Assim, o tabu estatístico segue intacto: desde 1990, a Argentina não vence um campeão mundial nos 90 minutos ou na prorrogação.
Especialistas debatem se essa estatística diminui o feito argentino. “Não se trata de sorte, mas de uma marca de resiliência”, analisa um historiador do futebol. “A Argentina aprendeu a vencer quando mais importa, mesmo que o caminho seja pelas penalidades.”




