Os EUA chegaram a estudar, no fim dos anos 1950, a possibilidade de explodir uma bomba nuclear na Lua. O plano ficou conhecido como Projeto A119 e aparece no documento “A Study of Lunar Research Flights”, ligado à Força Aérea americana.
O texto mostra que a proposta incluía avaliar os efeitos de detonações nucleares nas proximidades da Lua e a visibilidade do fenômeno a partir da Terra.
A ideia nasceu em plena Guerra Fria, quando a disputa espacial com a União Soviética já tinha virado questão estratégica e simbólica.
Décadas depois, Leonard Reiffel, físico que liderou o estudo, disse ao The Guardian que o principal objetivo era produzir um efeito de propaganda, um gesto de força capaz de ser visto da Terra e de melhorar a imagem dos EUA na corrida espacial.

O que o projeto previa na Lua
O estudo analisava como uma explosão nuclear poderia ser observada da Terra e que tipo de informação científica poderia ser obtida com isso.
O documento também menciona interesse em temas militares, como investigação do ambiente espacial, detecção de testes nucleares e capacidade de uso de armas no espaço.
Segundo o relato de Reiffel, a explosão seria pensada para ocorrer perto da borda da parte escura da Lua, de forma que a nuvem de poeira fosse iluminada pelo Sol e pudesse ser vista aqui da Terra. Ele também afirmou que, naquele momento, a operação era considerada tecnicamente viável.
Por que o plano não foi adiante
O projeto acabou abandonado e Reiffel afirmou que havia preocupação com o custo científico de destruir um ambiente lunar ainda intocado e disse mais tarde que ficou horrorizado com a possibilidade de um gesto desse tipo ter sido considerado.
Além disso, o próprio avanço da corrida espacial mudou o cálculo político. Em vez de um clarão nuclear na Lua, os Estados Unidos acabariam buscando um feito muito mais poderoso do ponto de vista simbólico: o pouso tripulado.
O que esse episódio revela
O caso ajuda a mostrar até onde a lógica da Guerra Fria chegava. A Lua, que depois se tornaria símbolo da conquista espacial, chegou a ser tratada como palco possível para demonstração militar. O Projeto A119 não foi executado, mas ficou como um dos exemplos mais radicais de militarização imaginada para o espaço.




