Roer unhas tem nome na medicina: onicofagia. O Ministério da Saúde explica que esse comportamento pode atingir as unhas das mãos e até dos pés, costuma começar na infância ou no início da adolescência e, em muitos casos, acompanha a pessoa até a vida adulta. A mesma orientação afirma que o hábito não tem causa única, mas costuma aparecer ligado à ansiedade, ao estresse, ao tédio, à insegurança, à timidez e até à fome.
O problema deixa de ser apenas uma mania quando começa a machucar, roer unhas pode provocar rachaduras, arrancamento do contorno da unha, irritação, vermelhidão, inchaço, dor e, nos casos mais graves, bolhas ou abscessos. Como os dedos vão repetidamente à boca, os ferimentos também se tornam porta de entrada para bactérias, vírus, germes e outras impurezas. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta que a onicofagia não costuma surgir por uma causa isolada. Segundo a entidade, o hábito pode funcionar como sinal de algum desconforto ligado à ansiedade.
O hábito também pode afetar a boca e a mandíbula, durante a onicofagia, a pessoa usa os dentes como uma espécie de serra e os músculos da face como força, o que pode causar alterações nas articulações da mandíbula. Além disso, o costume está associado a desgaste do esmalte, lesões nas gengivas, alteração no posicionamento dos dentes e bruxismo.
Quando o hábito vira sinal de alerta
O sinal de alerta aparece quando a pessoa não consegue parar, mesmo se machucando, ou quando o comportamento começa a causar vergonha, dor e prejuízo no dia a dia. O Instituto de Apoio e Desenvolvimento (ITAD), de Lisboa afirma que a onicofagia não deve ser tratada só como questão estética, justamente porque pode expressar sofrimento psíquico. A SBD reforça que, em muitos casos, o comportamento aponta para algo emocional que não está bem resolvido.
Na prática, isso significa que o hábito merece atenção quando passa a causar feridas frequentes, inflamação ao redor das unhas, dor ou dificuldade real de controle. Nessa fase, a onicofagia deixa de ser apenas um costume desagradável e passa a se aproximar de um comportamento compulsivo.
O que pode ajudar a parar
Entre as medidas mais conhecidas, o Ministério da Saúde cita manter as unhas curtas, mascar chiclete sem açúcar, usar esmalte com gosto amargo, ocupar as mãos com objetos ou trabalhos manuais e recorrer a mordedores de borracha em momentos de maior impulso. A orientação, porém, reforça que o caminho mais adequado é descobrir o que está por trás do hábito, porque a onicofagia nem sempre é só uma questão estética.





