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Há 70 anos, um decreto mudava para sempre a indústria automotiva no Brasil

Por Júlio Nesi
01/07/2026
Em Geral
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Um Romi-Isetta, primeiro modelo de automóvel fabricado no Brasil.

Foto: Lothar Spurzem / Wikimedia Commons

Um Romi-Isetta, primeiro modelo de automóvel fabricado no Brasil. Foto: Lothar Spurzem / Wikimedia Commons

Há exatamente 70 anos, o Brasil dava o pontapé inicial para se tornar uma potência industrial automobilística. Em 16 de junho de 1956, o presidente Juscelino Kubitschek assinava o Decreto nº 39.412, criando o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA) e estabelecendo as regras que transformariam o país de importador para fabricante de veículos.

A nova legislação exigia metas agressivas de nacionalização e oferecia incentivos fiscais e cambiais apenas aos projetos aprovados pelo governo. O objetivo era atrair investimentos e criar uma cadeia produtiva local robusta em tempo recorde.

A corrida pelo primeiro carro nacional

Em 30 de junho de 1956, apenas duas semanas após o decreto, a indústria automotiva brasileira respondeu. Neste dia, aía da linha de montagem da Indústrias Romi, em Santa Bárbara d’Oeste, em São Paulo, o primeiro Romi-Isetta.

O Romi-Isetta era um microcarro baseado em projeto italiano da Iso. Ele chegou ao mercado com 72% de peças nacionais e preço acessível, custando 370 mil cruzeiros, muito menos do que o fusca na época.

O lançamento oficial, no entanto, ocorreu no dia cinco de setembro, quando uma carreata de 16 unidades percorreu o centro de São Paulo, recebendo bênção do cardeal e sendo apresentada ao governador Jânio Quadros.

Entre 1956 e 1961, foram produzidas aproximadamente 3.150 unidades do pioneiro veículo, que fez sucesso entre artistas e chegou a ser usado pelo próprio presidente JK na inauguração de Brasília.

Meses depois, em 19 de novembro de 1956, a Vemag lançava a perua DKW Universal. Embora o Romi-Isetta tenha sido o primeiro a sair da linha, a DKW Universal destacou-se como o primeiro veículo a receber aprovação oficial do GEIA, atendendo integralmente aos requisitos de capacidade para quatro passageiros e comprometimento com as metas de nacionalização.

Legado consolidado

Até 1960, a indústria brasileira cumpriu as obrigações estabelecidas pelo decreto, alcançando os índices de nacionalização previstos. O setor saiu da era da simples montagem de kits importados para uma produção verdadeiramente nacional, com centenas de fábricas de autopeças instaladas em todo o país.

Além de criar a indústria automotiva brasileira, o decreto de 56 se consolidou na história por estabelecer as bases para o desenvolvimento econômico brasileiro nas décadas seguintes.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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Agradecemos por escolher a “CRUSOÉ”, revista eletrônica de conteúdos jornalísticos de titularidade da “Mare Clausum Publicações Ltda.”, sociedade empresária limitada, com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Av. Brigadeiro Faria Lima, 1234 - Jd. Paulistano - São Paulo - SP - CEP 01451-001, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 25.163.879/0001-13 e com IE/SEFAZ nº 118.877.810.111.

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