Um levantamento divulgado nesta semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego revela que o fim da escala 6×1 no Brasil tem potencial para beneficiar diretamente 37,11 milhões de trabalhadores com carteira assinada. O dado, extraído da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de fevereiro de 2026, indica que esse contingente representa 73,7% dos 50,32 milhões de empregados celetistas ativos no país.
A estimativa consolida o impacto da PEC 221/2019, aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados em 28 de maio com 461 votos favoráveis. A proposta constitucionaliza a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem corte salarial, estabelecendo a obrigatoriedade de dois dias de folga remunerada.
O texto está agora em análise no Senado Federal, onde o governo articula uma votação rápida antes do recesso parlamentar de julho.
Transição gradual
Para mitigar choques operacionais nas empresas, o acordo firmado entre o Palácio do Planalto e a presidência da Câmara estabeleceu um período de transição de 14 meses após a promulgação da emenda. Nos primeiros 60 dias, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais, com a imediata garantia do segundo dia de descanso.
A redução final para as 40 horas ocorrerá ao término do período de adaptação de um ano. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, enfatizou que a medida visa alinhar o Brasil a padrões internacionais de bem-estar social.
“A proposta devolve tempo aos trabalhadores para o convívio familiar, o lazer e o descanso, sendo um passo decisivo para um país mais justo”, declarou o ministro.
Divergências no Congresso
Enquanto o governo celebra a conquista social, o setor empresarial projeta cenários de alta inflacionária e perda de competitividade. Estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC) alertam que o custo adicional para as empresas pode variar entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões anuais.
As entidades argumentam que a necessidade de contratação de novos funcionários para cobrir a carga horária reduzida elevará a folha de pagamento em até 21% no setor de comércio, custo que tende a ser repassado aos preços finais.
Em contrapartida, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sustenta que o aumento do custo operacional seria absorvido pela economia através de ganhos de produtividade e redução de absenteísmo.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a tese de que “trabalhadores mais descansados produzem mais”, rejeitando as previsões catastróficas do setor produtivo.




