O Ministério da Saúde anunciou oficialmente nesta semana o lançamento de um projeto-piloto para avaliar a incorporação de canetas emagrecedoras ao Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, confirmada pelo ministro Alexandre Padilha, marca o primeiro passo do Governo Federal para enfrentar a demanda por tratamentos de obesidade mórbida na rede pública.
O estudo clínico, que deve começar ainda este ano, terá como foco inicial um grupo restrito de 250 pacientes classificados como “superobesos” e que apresentam complicações cardiovasculares associadas. Estes pacientes, que atualmente aguardam na fila por cirurgias bariátricas, serão atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Segundo o ministério, o objetivo principal é medir a eficácia dos fármacos na redução das comorbidades e verificar se o tratamento medicamentoso pode diminuir a pressão sobre as listas de espera para procedimentos cirúrgicos.
Dificultades na aplicação
Apesar do anúncio, o governo enfrenta algumas barreiras para isso. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) havia recomendado negativamente a inclusão de substâncias como a semaglutida e a liraglutida em 2025, citando um impacto orçamentário estimado em até R$ 8 bilhões anuais para os cofres públicos.
O ministro Padilha enfatizou que a decisão sobre a incorporação definitiva dependerá estritamente dos resultados técnicos e de custo-efetividade obtidos neste estudo de um ano.
Avaliação do governo
Apesar das barreiras, o fato que um item já está sendo produzido nacionalmente já ajuda. Em maio de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Ozivy, produzido pelo laboratório EMS, primeira versão sintética nacional de semaglutida com preço aproximadamente 30% inferior ao do importado Ozempic.
Contudo, o medicamento ainda possui indicação restrita para diabetes tipo 2 e necessita de nova avaliação da Conitec para uso no tratamento da obesidade pelo SUS.
Enquanto a União avalia seus próximos passos, iniciativas locais avançam de forma independente. O governo do Distrito Federal estuda a inclusão de Mounjaro em sua rede, e municípios como o Rio de Janeiro já possuem protocolos próprios para fornecimento a pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 40.




