As autuações fiscais em empresas feitas pela Receita Federal chegaram a R$ 233 bilhões em 2025, segundo dados divulgados pelo próprio órgão em abril deste ano.
Grande parte dessas identificações só foi possível com o uso de inteligência artificial, tecnologia que o Fisco brasileiro regulamentou oficialmente em fevereiro de 2026 por meio de sua Política de Inteligência Artificial.
O sistema cruza cerca de 44 milhões de declarações de imposto de renda com dados de cartões de crédito, Pix, transferências bancárias, plataformas de pagamento e cartórios.
A análise acontece de forma contínua e encontra divergências entre o que o contribuinte declara e o que movimenta na prática.
Uma das frentes do trabalho é a chamada fiscalização de ostentação. A Receita monitora publicações em redes sociais para identificar se o padrão de vida exibido é compatível com a renda declarada, por exemplo: viagens internacionais, carros de luxo e exibições públicas de patrimônio.
As ferramentas por trás dos números
Dois projetos concentram boa parte do trabalho de IA no Fisco. O primeiro é o Harpia, que opera junto ao supercomputador T-Rex e foi desenvolvido para identificar esquemas de lavagem de dinheiro, subfaturamento e fraudes estruturadas entre empresas.
O segundo é o Confia, voltado para empresas que queiram verificar e corrigir suas próprias informações fiscais antes de receberem uma autuação.
Apesar da automação, a decisão final sobre qualquer autuação continua sendo de um auditor humano. Todos os passos realizados pela IA precisam ser registrados para permitir auditoria posterior, e servidores que usarem o sistema de forma inadequada podem responder a processos disciplinares.
O que muda para as empresas
A lógica da fiscalização deixou de ser reativa, baseada em denúncias ou seleções manuais, e passou a ser contínua. André Fantoni, CEO da Fantoni Assessoria Tributária e especialista em ICMS, afirmou ao portal ND Mais que o intervalo entre uma inconsistência e sua detecção pelo Fisco ficou muito menor:
“Hoje, sistemas automatizados conseguem identificar inconsistências em volumes gigantescos de informações em questão de segundos”, disse.




