A China projeta uma nova geração de navios para consolidar a posição do páis no comércio marítimo mundial. Estaleiros da ilha de Changxing, próxima a Xangai, trabalham em cargueiros de até 400 metros de comprimento e 61 metros de largura, com capacidade para mais de 23 mil contêineres por viagem.
O país também planeja uma frota de nove embarcações movidas a reatores de sais fundidos de tório, tecnologia que permite navegar por longos períodos sem reabastecimento de combustível.
Os reatores se diferenciam dos que são mais comuns por operar com menor geração de resíduos radioativos e maior estabilidade térmica.
A proposta é reduzir os custos operacionais, ampliar a autonomia das embarcações e diminuir as emissões de gases poluentes nas rotas oceânicas.
Além desses projetos, os estaleiros chineses investem em navios movidos a gás natural liquefeito (GNL), outra alternativa ao diesel marítimo tradicional. Em 2025, um navio construído no país se tornou o maior transportador de automóveis do mundo, com capacidade para 9.500 veículos por viagem.
Por que isso importa?
Cerca de 90% de todas as mercadorias comercializadas no mundo circulam por via marítima, assim, quem controla frotas modernas e rotas estratégicas influencia diretamente os custos e os prazos do comércio global.
Como os caminhos maritímos são reflexo de potência, a expansão naval chinesa é parte de uma estratégia maior: fortalecer o controle do país sobre toda a cadeia logística internacional.
Afinal, grande parte da mercadoria de e-commerces asiáticos vem de navio.
A concentração de estaleiros e embarcações sob gestão chinesa já gerou tensões com Estados Unidos e Europa, que discutem tarifas e restrições sobre navios construídos no país asiático. Em 2025, os EUA aprovaram sobretaxas sobre cargueiros de bandeira chinesa que aportam em portos americanos.
A previsão é que a frota de nove embarcações represente o próximo passo do plano chinês de renovar e ampliar sua presença nos oceanos.




