O clima organizacional na Meta atingiu seu ponto mais crítico em duas décadas, segundo a própria admissão do alto escalão da empresa. A reestruturação liderada por Mark Zuckerberg, focada na transição para a Inteligência Artificial (IA), resultou em um ambiente de instabilidade, medo e desconfiança, segundo o diretor de tecnologia, Andrew Bosworth.
De acordo com Bosworth, a tensão interna explodiu em maio de 2026, quando a empresa demitiu aproximadamente 10% de sua força de trabalho, cerca de 8.000 funcionários, e transferiu compulsoriamente outros 7.000 colaboradores para divisões de IA.
A medida, justificada pela necessidade de financiar infraestrutura de ponta, gerou uma onda de descontentamento que atravessa todos os níveis da companhia, exceto, segundo relatos, a suíte executiva.
“Grande realocação” de maio
Bosworth relata que a reestruturação realizada em maio foi executada com “velocidade brutal”. Em maio deste ano, milhares de funcionários receberam notificações de rescisão. Os pacotes de demissão nos EUA incluíram 16 semanas de salário base mais duas semanas por ano de serviço, além de cobertura de saúde, num custo estimado de quase US$ 1 bilhão para a empresa.
No entanto, o corte de pessoal foi apenas metade da equação. Outros 7.000 funcionários, cujas habilidades não foram consideradas imediatamente aplicáveis às novas prioridades de IA, foram “alistados” à força em novas equipes.
Funcionários descrevem o processo como uma “realocação arbitrária”, em que engenheiros de produtos consolidados foram movidos para projetos de IA generativa sem treinamento adequado, criando um cenário de improdutividade e frustração.
Vigilância interna “distópica”
Segundo ex-funcionários da empresa, a situação se tornou ainda pior após a empresa implementar o programa Model Capability Initiative (MCI). Instalado em todos os computadores corporativos nos Estados Unidos sem opção de recusa, o software monitora movimentos do mouse, teclas digitadas e captura telas periodicamente.
O objetivo declarado pela Meta é coletar dados para treinar agentes de IA capazes de replicar interações humanas complexas com computadores. Contudo, a medida foi recebida com horror. Mais de 1.000 funcionários assinaram uma petição condenando a iniciativa, citando violações de privacidade e o risco de exposição de segredos comerciais e dados pessoais.
Resposta de Zuckerberg
Diante do colapso do moral, Mark Zuckerberg admitiu publicamente que a empresa cometeu “erros” na condução da transformação. Apesar do reconhecimento, o CEO mantém a postura de que a aposta na IA é “existencial” para o futuro da companhia, mesmo que isso signifique sacrificar a estabilidade atual.




