O Chrome, navegador web do Google, passou a enfrentar um “êxodo” de usuários para navegadores concorrentes após a empresa confirmar o fim definitivo do suporte ao Manifest V2, padrão que permite o funcionamento completo de extensões de privacidade e bloqueio de anúncios.
A medida, que entrará em vigor em 30 de junho deste ano, afeta diretamente ferramentas essenciais como o uBlock Origin, considerado padrão de segurança e “qualidade de vida” ao navegar na internet por especialistas.
O que motivou a decisão?
O Google confirmou que a versão 150 do Chrome removerá permanentemente a compatibilidade com o Manifest V2, obrigando todas as extensões a operarem sob o novo padrão Manifest V3. Segundo a empresa, a alteração visa melhorar a segurança e o desempenho do navegador.
No entanto, críticos apontam que o novo protocolo limita drasticamente a capacidade de filtragem de conteúdo, reduzindo o número máximo de regras de bloqueio, e que a medida da empresa teria objetivo puramente lucrativo, impedindo usuários de bloquearem publicidades em suas plataformas.
Vale apontar que a medida também causou preocupações sobre a segurança dos usuários, pois a Agência de Cibersegurança e Infraestrutura (CISA) dos EUA recomenda oficialmente o uso de bloqueadores de anúncios como medida de proteção contra malware.
Reação dos usuários
Diante das restrições, usuários têm migrado em massa para alternativas que mantêm o suporte integral a extensões de privacidade. O Mozilla Firefox registrou um acréscimo de mais de 6 milhões de novos usuários desde março de 2024, impulsionado principalmente por telas de escolha de navegador exigidas na União Europeia.
Já o Brave, navegador baseado no código aberto do Google Chrome, o “Chromium“, também foi um dos beneficiados com o “êxodo” do Google, atingindo 65 milhões de usuários ativos mensais no primeiro trimestre de 2026. No caso do Brave, o navegador já conta com um motor de bloqueio nativamente integrado, sem haver necessidade do usuário instalar extensões.
Episódio acontece em meio à crise regulatória
A turbulência ocorre simultaneamente ao cumprimento de decisões antitruste nos Estados Unidos. Desde junho de 2026, o Google está proibido de pagar para ser o mecanismo de busca padrão em dispositivos, medida determinada pelo Departamento de Justiça americano após comprovação de que a empresa detém “monopólio ilegal” em buscas online.




