O número de famílias brasileiras com algum tipo de dívida voltou a crescer e atingiu o maior patamar desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), iniciada em 2010.
Segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% dos lares brasileiros estavam endividados em maio de 2026.
O índice representa um novo recorde histórico e marca o quinto mês consecutivo de alta. Para efeito de comparação, o percentual era de 80,9% em abril deste ano e de 78,2% em maio de 2025.
Na prática, oito em cada dez famílias brasileiras possuem algum compromisso financeiro, como cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal, cheque especial ou carnê de compras.
Cartão de crédito lidera as dívidas
Segundo a CNC, o cartão foi citado por 84,6% das famílias endividadas, muito à frente de carnês, crédito pessoal e financiamento de veículos.
Os dados mostram ainda que o avanço das dívidas ocorre em todas as faixas de renda, mas é mais forte entre as famílias de menor poder aquisitivo. Entre os lares com renda de até três salários mínimos, o índice de endividamento chegou a 84,6%, acima da média nacional.
Segundo o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, o cenário é resultado da combinação entre maior acesso ao crédito e dificuldade de equilibrar o orçamento diante do aumento das despesas básicas.
Contas atrasadas aumentaram
O levantamento mostra que o crescimento do endividamento veio acompanhado de um avanço da inadimplência.
A parcela de famílias com contas em atraso subiu para 29,9% em maio, acima dos 29,7% registrados em abril. Já o percentual de consumidores que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas permaneceu em 12,3%, mesmo nível observado nos dois meses anteriores.
Isso significa que quase três em cada dez famílias brasileiras já enfrentam dificuldades para manter os pagamentos em dia.
Governo tenta frear avanço das dívidas
Nas últimas semanas, o Ministério da Fazenda anunciou estudos para uma nova etapa do Desenrola destinada a consumidores que mantêm as contas em dia, mas pagam juros elevados em empréstimos e financiamentos.
Enquanto isso, os números da CNC mostram que o endividamento continua avançando. Em apenas cinco meses, o indicador saiu de 79,4% em janeiro para 81,6% em maio, renovando sucessivamente o maior percentual já registrado pela pesquisa desde sua criação.




