A ferramenta de autoexclusão criada pelo governo federal revelou um retrato preocupante do mercado de apostas no Brasil.
Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), ligada ao Ministério da Fazenda, a principal razão apontada por brasileiros que decidiram bloquear o próprio acesso às plataformas é a preocupação com a saúde financeira.
O sistema permite que qualquer pessoa solicite voluntariamente o bloqueio do CPF em todas as casas de apostas autorizadas pelo governo federal.
Na prática, o usuário deixa de acessar as plataformas, não consegue criar novas contas e também deixa de receber publicidade direcionada das empresas do setor.
A autoexclusão foi lançada pelo Ministério da Fazenda como uma das principais ferramentas de proteção ao apostador dentro da regulamentação das bets.
Para aderir, é necessário acessar a plataforma utilizando uma conta Gov.br de nível prata ou ouro e escolher um período de bloqueio que pode variar entre um mês e prazo indeterminado.
Governo ajuda a reduzir danos
Até pouco tempo, cada casa de apostas possuía seu próprio mecanismo de autoexclusão. Com a nova plataforma federal, o bloqueio passou a ser centralizado.
Isso significa que uma única solicitação é suficiente para impedir o acesso a todas as operadoras autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas.
Após o pedido, as empresas têm até 72 horas para efetivar o bloqueio das contas vinculadas ao CPF informado.
Segundo o Ministério da Fazenda, a medida foi criada para ajudar pessoas que sentem que as apostas estão afetando negativamente sua vida financeira, emocional ou familiar.
Mercado movimenta bilhões por mês
A preocupação com o impacto financeiro das apostas ocorre em um momento de forte expansão do setor no país.
Dados do Banco Central citados pela própria Secretaria de Prêmios e Apostas apontam que o mercado brasileiro movimenta entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões por mês. Atualmente, dezenas de operadoras autorizadas atuam sob fiscalização federal.
O avanço das apostas também tem chamado atenção de órgãos de defesa do consumidor e especialistas em saúde mental.
Um levantamento citado pela Defensoria Pública de Minas Gerais mostrou que 42% dos brasileiros que estavam endividados afirmaram ter gasto dinheiro com apostas esportivas ao longo de um único mês.




