Pela primeira vez na história das Copas do Mundo, a partida inaugural do torneio deste ano enfrenta o risco de não atingir a lotação máxima. A causa apontada por especialistas é o alto valor dos ingressos e o valor exorbitante das entradas, cujos preços estão chegando a US$ 8,1 mil (cerca de R$ 42 mil) no canal oficial da FIFA.
Devido a isso, a inauguração, que será realizada nesta quinta-feira (11), no Estádio Azteca, no México, entre a Seleção Mexicana e a África do Sul, deve ser uma das únicas estreias do torneio em que o estádio não terá lotação máxima.
Barreira financeira
Diferente do cenário esperado para uma abertura de Mundial, o site oficial de vendas da entidade máxima do futebol ainda listava, na tarde de ontem (10), ingressos disponíveis em todos os setores do estádio, incluindo arquibancadas inferiores e camarotes.
A faixa de preços para o duelo entre México e África do Sul varia de US$ 2.600 a US$ 8.100, valores que sofreram reajustes de até 64% devido à aplicação da precificação dinâmica baseada na demanda.
A estratégia agressiva de preços, justificada pela FIFA como forma de combater a revenda ilegal, acabou por criar um efeito colateral que excluiu o torcedor médio e contribuiu para a formação de “bolsões vazios” em áreas nobres.
Inacessível para a população mexicana
Cidadãos mexicanos vêm reclamando nas redes sobre os altos valores. Com um salário médio mensal no México significativamente inferior ao dos outros países-sede (EUA e Canadá), os ingressos da abertura custam o equivalente a vários meses de renda para a classe trabalhadora mexicana. Ou seja, ver o jogo no próprio país está difícil.
“FIFA está matando o futebol”, desabafou Francisco Orvaños, torcedor compulsivo que assistiu à Copa de 1986 no mesmo estádio, mas que não poderá entrar hoje. “Não tenho palavras para descrever a decepção. É triste ver o estádio onde vivi momentos mágicos com lugares vazios por causa da ganância”.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, sinalizou o descontentamento oficial ao declarar que não comparecerá à abertura, doando seu ingresso a uma jovem fã. Vale reforçar também que o governo mexicano está tentando desfazer um protesto de representantes da educação próximo ao estádio.
Investigações contra a FIFA
Vale reforçar que autoridades estadunidenses, especificamente de Nova York e Nova Jersey, notificaram formalmente a FIFA devido aos valores elevados dos ingressos da Copa. O argumento das autoridades é que os preços praticados “ultrapassaram em muito os de qualquer edição anterior” da Copa.
Em resposta à notificação das investigações, Gianni Infantino, presidente da FIFA, defende a prática alegando que a federação está cobrando “preço de mercado”. No entanto, as procuradoras responsáveis pela investigação não foram convencidas e comentaram até mesmo o valor dos ingressos para a final, marcada para 19 de julho, que chegam até US$ 16.475 (quase R$ 84 mil).



