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O Terminal da vida real: egípcio é liberado a entrar no Brasil após mais de 50 dias preso no aeroporto

Por Júlio Nesi
01/06/2026
Em Geral
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Vista aérea do Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde Abdallah Montaser ficou detido por 51 dias.

Fotos:  Andomenda / Wikipedia / Wikimedia Commons

Vista aérea do Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde Abdallah Montaser ficou detido por 51 dias. Fotos: Andomenda / Wikipedia / Wikimedia Commons

A Justiça Federal autorizou a entrada no Brasil do egípcio Abdallah Saad Ali Montaser após ele permanecer 51 dias retido na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A decisão foi proferida pelo juiz federal Victor de Almeida Silveira, da 1ª Vara da Justiça Federal de Guarulhos, que determinou não haver justa causa para manter a retenção do estrangeiro.

Montaser deixou o terminal neste final de semana, quando finalmente reencontrou sua esposa e seus dois filhos.

Por que o egípcio ficou retido?

A família desembarcou no Brasil no dia 8 de abril deste ano, vindo do Oriente Médio, e solicitou refúgio. Enquanto a esposa, que está grávida, e as crianças foram liberadas um mês depois, no dia 8 de maio, Montaser permaneceu isolado.

De acordo com as autoridades do aeroporto, a entrada de Montaser foi inicialmente barrada pela Polícia Federal (PF) com base em supostas informações de segurança que o classificavam como “pessoa perigosa”, com suspeitas de ligação com terrorismo.

No entanto, durante o processo judicial, a PF não apresentou provas concretas que justificassem a acusação ou a manutenção da medida restritiva. A defesa de Montaser, liderada pelo advogado Willian Fernandes, argumentou que a retenção prolongada violava direitos fundamentais.

Após o longo processo, o magistrado acolheu o pedido de habeas corpus, reconhecendo a inexistência de elementos para sustentar a proibição de entrada e privilegiando o direito à reunião familiar e a dignidade da pessoa humana.

Repercussão

Com a repercussão da retenção do egípcio, o caso gerou ampla mobilização de entidades de defesa dos direitos humanos e migrantes. A família, composta por Abdallah, sua esposa gestante de oito meses e dois filhos pequenos, vivia no Catar e buscou proteção no Brasil devido à instabilidade e aos conflitos na região.

Durante o período de retenção, mais de 10 organizações divulgaram notas manifestando preocupação com a situação, classificando-a como uma violação de direitos humanos.

A liberação de Montaser foi celebrada pela defesa como uma vitória jurídica que estabelece precedente contra punições baseadas no que classificaram como “suspeitas não comprovadas”.

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Tags: Abdallah Saad Ali MontaserAeroporto Internacional de São PauloCatarDireitos humanosguarulhosHabeas CorpusJustiçaJustiça Federaloriente médioPFpolícia federalsão Paulosp
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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