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Os verdadeiros impactados com o fim da escala 6×1 serão os próprios trabalhadores, afirma sociólogo

Por Júlio Nesi
31/05/2026
Em Geral
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Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

O fim da escala 6×1 é apresentado como uma conquista dos trabalhadores, mas o sociólogo José Pastore, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), a mudança pode se tornar um “desastre social” justamente para quem ela pretende beneficiar.

Em uma entrevista à imprensa, Pastore diz que os ajustes econômicos que as empresas precisarão fazer para absorver o custo da nova jornada vão, no fim, cair sobre os próprios trabalhadores.

Por que o impacto seria tão amplo?

O sociólogo destaca que a mudança não afeta apenas os setores que operam na escala 6×1 ou os trabalhadores que cumprem 44 horas semanais. O impacto estimado é de um aumento abrupto de cerca de 10% na folha de salários de todo o setor formal, um percentual muito acima dos reajustes salariais tradicionais, que costumam ficar em torno de 1% ou 2% além da inflação nas datas-base.

Para o sociólogo, esse salto de custo forçaria as empresas a tomarem o que ele chama de “decisões difíceis”, e todas elas, segundo Pastore, tendem a prejudicar os trabalhadores de alguma forma.

Quatro formas de ajustes previstas

A primeira reação esperada é o repasse dos custos para o preço de bens e serviços. Com preços mais altos no mercado, o poder de compra do trabalhador cai mesmo que o salário permaneça o mesmo.

A segunda possibilidade é a demissão de funcionários mais antigos e com salários mais elevados, seguida da contratação de profissionais mais baratos. Esse movimento tenderia a aumentar a rotatividade no mercado e a prejudicar especialmente os trabalhadores mais velhos.

Já a terceira alternativa seria a migração de contratações para a informalidade, retirando dos trabalhadores qualquer proteção legal que a CLT oferece.

Por fim, a quarta saída seria a automação e a redução das operações, com menos postos de trabalho disponíveis e, consequentemente, mais desemprego.

Efeitos que vão além das empresas

Pastore também chama atenção para consequências que, segundo ele, ainda não foram devidamente consideradas no debate. Com a adoção da escala 5×2, os trabalhadores circulariam menos durante a semana, reduzindo a demanda por serviços como lanchonetes, padarias e transporte público nos dias úteis.

O sociólogo exemplificou que uma lanchonete que atendia trabalhadores seis dias por semana passaria a receber menos frequência, sem conseguir recuperar essa receita nos dias seguintes. Para ele, as empresas de serviços enfrentariam uma pressão dupla: aumento de custo de pessoal e redução de faturamento ao mesmo tempo.

Para Pastore, o conjunto dessas consequências configura uma mudança muito extensa, capaz de gerar impactos sociais preocupantes em cadeia. Na avaliação dele, todos esses ajustes recairão sobre os trabalhadores, e não sobre os parlamentares que votaram pela mudança.

Vale lembrar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 já avançou na Câmara dos Deputados em primeiro turno e agora aguarda votação no Senado Federal.

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Tags: Câmara dos DeputadosCongresso NacionaldesempregoDireitos Trabalhistaseconomiaempregoescala 5x2escala 6x1José PastorepolíticaSenado Federal
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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