Quando se fala de cidade fantasma, muitos pensam na mais famosa: o município de Pripyat, ao norte da Ucrânia, onde aconteceu o desastre nuclear de Chernobyl, que inundou a cidade com uma forte radiação que segue na região até hoje. Mas há diversas outras cidades fantasma no mundo e em diversos países, como Centrália (EUA), a cidade construída sobre uma gigante mina de carvão que incendiou e segue pegando fogo até hoje, ou Herculano (Itália), que teve sua população apagada pelo vulcão Vesúvio. No entanto, uma cidade chama a atenção pelo desastre que a causou e também por ser relativamente nova.
Essa é a cidade de Fukushima, no Japão, município que está abandonado há 15 anos devido a uma catástrofe tripla que a assolou em março de 2011: um terremoto, uma tsunami e uma explosão na usina de Daiichi, o segundo maior desastre nuclear depois de Chernobyl. A cidade fez 15 anos de abandono na semana passada.
Atualmente, o município é alvo de restaurações e é possível visitá-lo, pois há regiões abertas para visitação e até moradia. Os visitantes relatam a sensação de estranheza na cidade, pois com os esforços do governo japonês, Fukushima parece uma cidade comum: com asfalto novo, faixas repintadas, postes de luz funcionais, mas a cidade não tem ninguém. O que antes era uma região com forte indústria, turismo e comércio agora é uma paisagem de concreto, a vida que pode ser vista é a fauna local, outros visitantes e funcionários do governo.
Um dos visitantes chegou a relatar também que a cidade parece ter sido retomada pela natureza, parecendo um cenário retirado de um filme pós-apocalíptico: árvores envolvem casas, mato chegando às áreas urbanas, carros vazios acumulando poeira entre mais árvores que cresceram descontroladamente, mas o que mais chama a atenção é a falta de pessoas.
Desastre
Fukushima dominou os noticiários mundiais no dia 11 de março de 2011 quando foi atingido por uma “tríplice” de catástrofes uma depois da outra. Tudo começou por volta das 14h46 (do fuso local) quando houve um terremoto de magnitude 9,0, um dos mais fortes já registrados no Japão. Os tremores foram seguidos por um tsunami, que chegou à costa do município às 15h42 com ondas de até 15 metros. Os dois desastres afetaram a usina Daiichi, causando o desligamento de três reatores e destruindo geradores e painéis elétricos, causando uma falta de energia elétrica total na cidade.
Os moradores continuaram pela região, se recuperando e procurando familiares desaparecidos até o anoitecer do mesmo dia, aguardando o fim do blackout elétrico. No entanto, autoridades que continuaram fiscalizando a usina perceberam que o combustível nuclear começou a superaquecer devido à falta de energia para manter o resfriamento, o que fez o governo japonês declarar oficialmente estado de emergência e ordenar a evacuação de todos em um raio de 2 a 3 km da usina.
No dia 12 de março foi registrada uma explosão de hidrogênio no reator 1 da usina, que destruiu o teto do edifício e resultou em um aumento de 20 km no raio de evacuação. No dia 14 de março, ocorre uma explosão de hidrogênio no reator 3, o que feriu 11 trabalhadores. No dia 15 de março o desastre entra em sua fase final com explosões nos reatores 2 e 4, enquanto os núcleos dos reatores 1, 2 e 3 começam a derreter, aumentando drásticamente os níveis de radiação na área, impedindo o retorno da população para a cidade.
Segundo dados oficiais do governo japonês, aproximadamente 22.230 pessoas foram contabilizadas como mortas ou desabarecidas em decorrência do terremoto e da tsunami combinados.
Recuperação
Várias regiões da cidade estão sob um esforço de reconstrução, com outras áreas que foram reabertas, como os bairros de Tamura e Naraha, áreas mais afastadas da usina que foram reabertas em 2014 e 2015. Outras regiões críticas também foram liberadas, como Okuma e Futaba, mas embora a maior parte já esteja livre para a população, há apenas 200 moradores registrados na região. As autoridades japonesas alegam que muitos japoneses ainda estão receosos com a região ou preferem suas novas vidas longe de Fukushima.





