Crusoé
03.04.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Edição Semana 401

Um novo Oriente Médio

A região deve ter menos presença de Rússia e Irã. Por outro lado, Turquia e Arábia Saudita ganham destaque

avatar
Samuel Feldberg
6 minutos de leitura 02.01.2026 03:30 comentários 0
Um novo Oriente Médio
Trump e Mohammed bin Salman. Foto: Joyce N. Boghosian
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

O Oriente Médio passou por uma enorme transformação nos últimos anos.

A Primavera Árabe já havia destruído a Líbia e desestruturado a Síria.

Por outro lado, os ataques de 7 de outubro de 2023, não só não destruíram Israel, como reafirmaram o seu poderio.

Agora, encerrados os principais combates, inicia-se uma fase de articulações que tem no centro os Estados Unidos de Donald Trump e a reconfiguração de poder na região.

MBS em Washington

A visita do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, a Washington em novembro enfatizou a mensagem de que a Arábia Saudita é um parceiro estratégico dos Estados Unidos, com um status semelhante ao de Israel.

A visita incluiu a assinatura de uma série de entendimentos e acordos com implicações estratégicas significativas para o cenário regional, inclusive o compromisso de Trump de vender à Arábia Saudita aeronaves F-35, bem como cooperação em energia nuclear civil, minerais críticos, tecnologias avançadas e segurança.

O aprofundamento desta relação fortalece os Estados Unidos em relação à China e mantém a influência ocidental sobre tecnologias centrais no Oriente Médio, contribuindo para a estabilidade regional.

Para Israel, a cooperação entre EUA e Arábia Saudita pode criar um novo diálogo regional e até apoiar futuros processos de normalização.

Ao mesmo tempo, o fornecimento do F-35 exige uma reavaliação dos mecanismos de preservação da vantagem militar qualitativa de Israel e uma compreensão de até que ponto a implementação desses negócios será condicionada ao avanço da normalização entre os dois países.

No passado, quando os Estados Unidos forneceram à Arábia Saudita os modernos aviões F-15, estes deixaram de ser equipados com tanques de combustível externos, para limitar seu alcance e atender a uma preocupação israelense.

A Arábia Saudita voltou a prometer vultuosos investimentos nos Estados Unidos, mas atualmente toma empréstimos para lidar com sua situação de déficit fiscal e enormes investimentos em infraestrutura.

Na melhor das hipóteses, os números prometidos serão apresentados se as compras de armamentos forem contabilizadas como investimento.

O que fica em aberto são questões relacionadas ao que prometeu a Arábia Saudita em troca do acesso ao F-35 — como garantir que equipamentos antiaéreos russos e chineses não possam “aprender” a evitar seus radares e como reagirá a Turquia, que teve seu projeto ligado ao F-35 cancelado, apesar de ser membro da Otan.

A Turquia de Erdogan apresenta um novo protagonismo na região.

O país ficou em evidência principalmente por sua intermediação para a obtenção do cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza, e seu papel na derrubada do governo de Bashar Assad na Síria.

No resto do mundo, será criada uma nova percepção de ameaça se a Síria se tornar, na prática, um proxy da Turquia, estendendo a sua presença até a fronteira das Colinas de Golan, no norte de Israel.

Isso poderia ampliar o risco de um confronto entre Israel e Turquia.

A percepção da Turquia como um elemento possivelmente desestabilizador (assim como o Irã) decorre do compartilhamento ideológico e de valores da Irmandade Muçulmana, tendo como objetivo impulsionar Jerusalém como tema central do discurso islâmico radical.

Dezenas de milhões de dólares doados pelo governo turco foram transferidos a organizações em Jerusalém Oriental para fortalecer o caráter e a herança muçulmana da cidade, o que provoca enorme insegurança nas autoridades jordanianas, legalmente responsáveis por essas atividades.

Os laços da Turquia com o Hamas, que antes eram um fardo, transformaram-se em ativo geopolítico para Washington.

Mas a aspiração turca de colocar forças militares como parte de uma força multinacional em Gaza constitui perigo aos interesses estratégicos de Israel, pois garantirá que o Hamas seja apenas parcialmente desarmado e se torne parceiro político do governo de tecnocratas que deveria governar Gaza.

A conquista na Síria

A decisão do governo israelense, em 2011, de não intervir na guerra civil síria levou à consolidação da presença do Irã, do Hezballah e de milícias pró-iranianas na Síria, exigindo também uma estreita coordenação com os russos, aliados de Assad.

Enquanto isso, a Turquia apoiou durante anos as organizações jihadistas e permitiu seu controle da província de Idlib, de onde partiram para derrubar o regime sírio.

E criou uma zona-tampão para afastar as forças curdas da fronteira, ocupando assim partes do norte da Síria.

Al-Julani, hoje o presidente sírio Ahmed al Sharaa, tornou-se parceiro estratégico do turco Recep Erdogan, embora ainda mantenha certo grau de independência, tentando apresentar-se como um líder moderado, defensor também de todas as minorias sírias.

A queda do regime de Assad, juntamente com o declínio do status dos grandes aliados da Síria — Rússia e Irã — permitiu à Turquia aumentar significativamente sua influência no país, o que poderia transformar a Síria em protetorado turco.

Assim, substituiria o Irã como principal ator anti-israelense na Síria e construiria um bloco sunita islamista que, no atual contexto, poderia ser visto pelo Ocidente como uma barreira ao radicalismo xiita.

No contexto geopolítico mais amplo, a Turquia compete com o projeto que pretende ligar a Índia, via Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia e Israel, com conexões marítimas até a Europa, percebido como alternativa estratégica à Iniciativa do Cinturão e Rota da China (também chamado de Rota da Seda).

O propósito da iniciativa é promover a “Estrada do Desenvolvimento”, através do Iraque e da Síria, em cooperação com o Catar.

Os turcos talvez representem a mais importante mudança deste período. Se adotarem uma postura hostil a Israel, eles poderiam até superar a ameaça iraniana.

O país tem um importante Exército moderno e, desde o final de 2024, uma ponte através da Síria, que pode se projetar até a Jordânia, Israel e Arábia Saudita.

Em resumo: veremos menos a atuação da Rússia, que se contenta em manter suas bases na Síria, e do Irã, que tem que reconstruir seu poderio.

Em contrapartida, haverá mais a presença da Turquia e da Arábia Saudita, que podem disputar áreas de influência na região.

E os Estados Unidos podem se ver obrigados a fazer apostas arriscadas.

Samuel Feldberg é diretor acadêmico do StandWithUs Brasil, doutor em Ciência Política pela USP, professor de Relações Internacionais, Pesquisador do Centro Moshe Dayan da Universidade de Tel Aviv e fellow em Israel Studies da Universidade de Brandeis.

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Estatal iraniana anuncia recompensa por pilotos de caça abatido

Redação Crusoé Visualizar

Onde foi parar o extremista que zombou de mulher sequestrada

Redação Crusoé Visualizar

Segunda via e meia

Duda Teixeira, Guilherme Resck, Paulo Melo Visualizar

Ex-assessor de Trump posta "último retrato de Xandão antes da prisão"

Redação Crusoé Visualizar

Lula posa de defensor do Pix

Redação Crusoé Visualizar

Mais um advogado do processo da trama golpista vai se candidatar

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

A perplexidade é só o começo

A perplexidade é só o começo

Visualizar notícia
Deltan lidera corrida ao Senado no Paraná, indica AtlasIntel

Deltan lidera corrida ao Senado no Paraná, indica AtlasIntel

Visualizar notícia
Esquerda histérica contra Tabata Amaral

Esquerda histérica contra Tabata Amaral

Visualizar notícia
Ex-assessor de Trump posta "último retrato de Xandão antes da prisão"

Ex-assessor de Trump posta "último retrato de Xandão antes da prisão"

Visualizar notícia
Lula posa de defensor do Pix

Lula posa de defensor do Pix

Visualizar notícia
Mais um advogado do processo da trama golpista vai se candidatar

Mais um advogado do processo da trama golpista vai se candidatar

Visualizar notícia
O Botafogo vendeu a alma

O Botafogo vendeu a alma

Visualizar notícia
O camaleão das araucárias

O camaleão das araucárias

Visualizar notícia
O maior do Congresso

O maior do Congresso

Visualizar notícia
O trunfo de Kiev

O trunfo de Kiev

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Arábia Saudita

Oriente Médio

Turquia

< Notícia Anterior

A mentira de Lula às mulheres

26.12.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Servidor público precisa de código de ética?

09.01.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Samuel Feldberg

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Notícias relacionadas

Esquerda histérica contra Tabata Amaral

Esquerda histérica contra Tabata Amaral

Clarita Maia
03.04.2026 03:30 6 minutos de leitura
Visualizar notícia
O trunfo de Kiev

O trunfo de Kiev

João Pedro Farah
03.04.2026 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
A perplexidade é só o começo

A perplexidade é só o começo

Dennys Xavier
03.04.2026 03:30 6 minutos de leitura
Visualizar notícia
O que acontece com o Rio de Janeiro?

O que acontece com o Rio de Janeiro?

Magno Karl
03.04.2026 03:30 6 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Especialistas revelam o que realmente acontece ao dormir com animais na cama

Especialistas revelam o que realmente acontece ao dormir com animais na cama

Visualizar notícia
O hábito simples que pode reduzir seu estresse dentro de casa, segundo estudo

O hábito simples que pode reduzir seu estresse dentro de casa, segundo estudo

Visualizar notícia
O que as palmas das mãos revelam sobre a saúde do seu fígado

O que as palmas das mãos revelam sobre a saúde do seu fígado

Visualizar notícia
O que a ciência realmente diz sobre pessoas com olhos verdes e azuis

O que a ciência realmente diz sobre pessoas com olhos verdes e azuis

Visualizar notícia
As desculpas mais eficazes (e aceitáveis) para quando você só quer ficar em casa

As desculpas mais eficazes (e aceitáveis) para quando você só quer ficar em casa

Visualizar notícia
O que seu cérebro realmente revela quando você sonha com alguém

O que seu cérebro realmente revela quando você sonha com alguém

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso