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Crônica

Israel e Arábia Saudita

A crescente percepção de que uma ordem regional mais estável pode ser alcançada por meio da cooperação pode incentivar novas aberturas diplomáticas

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Samuel Feldberg
5 minutos de leitura 03.01.2025 03:30 comentários 3
Israel e Arábia Saudita
Caaba, em Meca. Foto: Camera Eye/Flickr
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O relacionamento entre Israel e a Arábia Saudita passou por uma evolução notável nos últimos anos, mudando de décadas de hostilidade para uma cooperação secreta e, potencialmente, para um relacionamento formal.

Essa transformação foi impulsionada, em grande parte, por preocupações regionais comuns, especialmente em relação à crescente influência do Irã e suas ambições nucleares.

Mas o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 tornou-se um empecilho para a evolução desta relação. Embora o ataque em si ressalte a volatilidade persistente na região, também destaca a importância crescente das relações entre Israel e Arábia Saudita, principalmente diante da ameaça do Irã à estabilidade regional.

Contexto histórico

A Arábia Saudita e Israel nunca tiveram relações formais.

A Arábia Saudita, como guardiã dos dois locais mais sagrados do Islã, Meca e Medina, sempre enquadrou sua oposição a Israel como uma questão religiosa.

E o mundo árabe como um todo, por muitas décadas, manteve uma política de não reconhecimento de Israel.

Entretanto, no final do século 20 e início do século 21, o cenário geopolítico regional e global começou a mudar.

O aumento da influência iraniana no Oriente Médio, principalmente após a Revolução Islâmica de 1979, e os efeitos desestabilizadores da invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003 criaram uma ameaça comum que gradualmente aproximou Israel e a Arábia Saudita, apesar da falta de laços diplomáticos formais.

Preocupações compartilhadas

O principal catalisador da aproximação entre Israel e Arábia Saudita tem sido a crescente ameaça representada pelo Irã.

À medida que o poder do Irã se expandiu, especialmente por meio de proxis como o Hezbollah no Líbano, o Hamas em Gaza e os Houthis no Iêmen, tanto Israel quanto a Arábia Saudita passaram a ver Teerã como uma força desestabilizadora na região.

Para Israel, o programa nuclear do Irã e seu apoio a grupos terroristas, como o Hamas e a Jihad Islâmica, representam uma ameaça direta. A preocupação de Israel está profundamente enraizada em seu próprio trauma histórico e sua doutrina de segurança, e se concentra na necessidade de evitar ameaças existenciais conforme foi determinado pela Doutrina Begin na década de 1980.

A Arábia Saudita, por sua vez, vê a crescente influência do Irã como um desafio direto ao seu papel de liderança no mundo muçulmano. A ideologia xiita do Irã, seu envolvimento em guerras regionais por procuração e seu apoio a grupos como o Hizballah e os Houthis ameaçam a influência regional da Arábia Saudita. Além disso, a Arábia Saudita vê a crescente capacidade nuclear do Irã como uma ameaça a sua própria segurança e ao mundo árabe sunita em geral.

Essa percepção de ameaça compartilhada gerou, ao longo dos últimos anos, uma cooperação militar e de inteligência entre Israel e a Arábia Saudita. Embora os dois países não tenham formalizado seu relacionamento por meio do reconhecimento diplomático, seu crescente alinhamento em questões estratégicas tornou-se cada vez mais evidente nos últimos anos.

Os Acordos de Abraão

Também contribuem para o avanço nas relações entre Israel e Arábia Saudita os “Acordos de Abraão”, intermediados em 2020 pelos Estados Unidos, entre Israel e Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein, Sudão e Marrocos.

Embora a Arábia Saudita não tenha seguido imediatamente o exemplo e reconhecido formalmente Israel, os acordos sinalizaram uma mudança radical nas relações árabe-israelenses, principalmente no Golfo.

A Arábia Saudita desempenhou um papel nos bastidores ao incentivar esses acordos, sinalizando sua disposição de avançar em direção à normalização sob certas condições, especialmente concessões americanas ligadas à sua segurança.

O ataque do Hamas em 7 de outubro

O ataque perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 contra Israel foi um momento decisivo no atual conflito israelo-palestino.

Mil e duzentos israelenses foram mortos e 250 foram sequestrados, dos quais 101 ainda se encontram em poder dos terroristas.

A reação israelense foi implacável e gerou reações na opinião pública do mundo árabe que impediram a continuidade do processo de normalização das relações com a Arábia Saudita.

Mas, por outro lado, o ataque serve para reforçar a aliança estratégica entre os dois países.

O ataque do Hamas expôs vulnerabilidades, o envolvimento do Irã no apoio a grupos radicais e o perigo representado pelo fundamentalismo islâmico.

A crescente percepção da Arábia Saudita de que uma ordem regional mais estável pode ser alcançada por meio da cooperação com Israel pode incentivar novas aberturas diplomáticas, apesar da difícil perspectiva em torno da questão palestina.

O interesse de Israel no processo é óbvio: um acordo abriria as portas para a normalização das relações com o mundo muçulmano e países como a Indonésia, Malásia, eventualmente até o Paquistão.

A Arábia Saudita fortaleceria seus laços com os Estados Unidos e poderia abrir um corredor terrestre do Golfo Pérsico até o Mediterrâneo.

O recente acordo de cessar-fogo no Líbano ainda pode facilitar uma solução em Gaza, o que diminuiria a pressão contrária da opinião pública na região.

O tempo dirá, mas o Oriente Médio está sempre cheio de surpresas.

Samuel Feldberg é diretor acadêmico do StandWithUs Brasil, doutor em Ciência Política pela USP, professor de Relações Internacionais, pesquisador do Centro Moshe Dayan da Universidade de Tel Aviv e fellow em Israel Studies da Universidade de Brandeis.

As opiniões dos colunitas não necessariamente refletem as de O Antagonista e Crusoé

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Samuel Feldberg

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Comentários (3)

Joaquim Arino Durán

2025-07-05 20:26:31

O pior inimigo dos muçulmanos não é Israel, mas os próprios muçulmanos.


Marly Beaklini Guimarães Lemos

2025-01-04 12:17:29

Vocês deveriam publicar algo de quem vive o horror em Gaza e o que Israel pretende. Não sou a favor de Hamas e de nenhum terrorista, mas Israel torturava os palestinos e está mostrando claramente a que veio


ISABELLE ALÉSSIO

2025-01-03 05:42:50

Gostei da aula!


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Joaquim Arino Durán

2025-07-05 20:26:31

O pior inimigo dos muçulmanos não é Israel, mas os próprios muçulmanos.


Marly Beaklini Guimarães Lemos

2025-01-04 12:17:29

Vocês deveriam publicar algo de quem vive o horror em Gaza e o que Israel pretende. Não sou a favor de Hamas e de nenhum terrorista, mas Israel torturava os palestinos e está mostrando claramente a que veio


ISABELLE ALÉSSIO

2025-01-03 05:42:50

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