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Zanatta denuncia "golpe" do voto distrital misto
Júlia Zanatta, advogada e jornalista, coordenadora da Embratur
Diários 29.10.2026 17:40 4 minutos de leitura

Zanatta denuncia "golpe" do voto distrital misto

Deputada afirma que alteração no sistema eleitoral aumentaria a dependência dos candidatos em relação aos partido

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Redação Crusoé

A deputada federal reeleita Júlia Zanatta (PL-SC) criticou nesta quinta, 29, a discussão sobre a criação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para mudar o sistema eleitoral brasileiro do modelo proporcional para o distrital misto.

Segundo a parlamentar, a proposta como um “golpe” e questionou os argumentos dos defensores da mudança.

"O GOLPE DO VOTO DISTRITAL MISTO A desculpa é bonita: “o eleitor sabe quem é o seu deputado” e a cobrança fica mais direta. Mas será que essas pessoas que defendem isso querem mesmo que a cobrança fique mais direta? São os mesmos que defendem censurar as redes sociais porque se incomodam com a interação direta do povo com o político", escreveu no X.

Zanatta também questionou se seus 560 mil eleitores não saberiam quem os representa.

Segundo a deputada, a medida "é desculpa porque eles têm ÓDIO de quem é próximo do povo e não de interesses estranhos que dominam Brasília."

Zanatta atribuiu a articulação em favor da mudança no sistema eleitoral ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao PT e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Articulação

Motto afirmou que decidiu, em conjunto com líderes partidários, avançar ainda neste ano na discussão e em uma possível votação da PEC.

A proposta em construção prevê a adoção definitiva do sistema em 2034, com um modelo de transição nas eleições de 2030.

Motta fez o anúncio após se reunir com presidentes e lideranças dos partidos que integram o bloco formado por União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, federação PSDB-Cidadania e Podemos para tratar da reforma política.

O encontro ocorreu na residência oficial do presidente da Câmara, em Brasília.

“Acabamos agora uma importante reunião. Nós já estávamos, há alguns dias, conversando, ali entre o primeiro o segundo turno, e concluímos agora com a participação do bloco representado pelos partidos de centro. Hoje também tivemos a presença do PSB, na pessoa do presidente João Campos”, disse Motta.

“E concluímos uma importante reunião, onde tratamos de uma discussão muito importante para o nosso país, que é sobre as regras do nosso sistema eleitoral, no que diz respeito à escolha proporcional, à escolha para o Poder Legislativo, no âmbito da Câmara dos Deputados e também Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais”.

O que é o sistema distrital misto?

O modelo proporcional é utilizado no Brasil hoje para eleger vereadores, deputados estaduais e federais.

Como mostrou Crusoé, o modelo distrital tem como uma de suas principais vantagens o fortalecimento da representatividade do eleitor no Parlamento.

O voto distrital misto aproxima o representante do eleitor, porque nesse sistema há a criação de distritos, regiões delimitadas nas quais ocorrem as eleições para o Parlamento.

No caso de uma eleição para deputado federal, diferentemente do que acontece atualmente, os políticos não serão candidatos de todo o estado, mas de um determinado distrito daquele estado.

O número de opções para cada eleitor, assim, é muito menor.

E quando um candidato é eleito para representar quatro cidades, por exemplo, sua conexão com as pessoas tende a ser mais forte.

Outra vantagem é um fortalecimento da identidade partidária, porque os partidos terão apenas um candidato por distrito. O candidato não compete, no pleito, com um correligionário da mesma sigla, como ocorre no sistema proporcional.

Mas o voto distrital misto não representa o fim do modelo proporcional completamente. Ele é misto exatamente porque no momento de escolher seus representantes para o Parlamento, o eleitor dá dois votos: um para o candidato do distrito e outro para um partido político.

Isso significa que parte dos parlamentares é eleita pelo sistema majoritário (o candidato que receber mais votos em cada distrito será eleito) e outra parte será escolhida no sistema proporcional – filiados a um determinado partido ocuparão vagas no Parlamento a depender do número de votos que aquela sigla receber.


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