Crusoé
13.09.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

Uma vergonha chamada Alexandre

Uma ordem política pode sobreviver a erros. Dificilmente sobrevive à perda do senso de medida

avatar
Dennys Xavier
4 minutos de leitura 24.12.2025 11:22 comentários 2
Uma vergonha chamada Alexandre
Alexandre de Moraes. Foto: Luiz Silveira/STF
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Há um elemento que atravessa todo o episódio envolvendo Alexandre de Moraes e o Banco Central do Brasil e que, curiosamente, foi pouco explorado para além do factual: a ausência de vergonha.

Não a vergonha psicológica, íntima, mas aquela vergonha pública e moral que, desde a Antiguidade, funcionava como último freio quando a lei ainda não fora formalmente violada... ou quando, mesmo violada, demoraria a reagir.

Os gregos tinham uma palavra precisa para isso: vergonha (aidōs).

Em Aristóteles, a aidōs não é ainda uma virtude plena, mas um sentimento formativo, pedagógico: ela indica que o indivíduo reconhece um limite antes de ultrapassá-lo.

Onde há vergonha, há consciência de medida; onde ela desaparece, instala-se o excesso soberbo, desmedida, arrogância (hybris).

Não por acaso, as tragédias começam quando alguém deixa de corar. O nosso problema contemporâneo é mais simples e mais grave: ninguém mais cora. Na mais alta corte do país, nem se fala.

As reportagens relatam que um ministro da Suprema Corte manteve contatos diretos com o presidente do Banco Central para tratar de assuntos sensíveis relacionados a interesses privados específicos.

O ponto decisivo não é antecipar juízos penais, mas observar a forma do gesto. Nada foi feito com constrangimento.

Não houve recuo preventivo, silêncio prudente, afastamento voluntário.

Houve explicações posteriores (das mais esfarrapadas, que ignoram a inteligência alheia), notas técnicas, normalização do comportamento.

Como se não houvesse sequer a percepção de que algo ali exigiria pudor institucional.

Como se a própria ideia de limite fosse exótica.

Aqui se revela a marca da hybris: não o erro clandestino, mas o erro tranquilo.

O abuso que não se esconde porque não se reconhece como abuso.

Um juiz que conversa informalmente com um regulador sobre temas que não lhe competem; um Estado que passa a funcionar por telefonemas e não por ritos (bem, o mesmo juiz sentencia por rede social!); uma autoridade que não se pergunta se deveria estar ali.

O mais sintomático é que tudo isso ocorre sem vergonha (aidōs); e, portanto, sem consciência de excesso (hybris).

O liberalismo clássico sempre soube que instituições não se sustentam apenas por normas escritas. Sustentam-se por hábitos morais, por autocontenção.

Hayek advertia que o Estado de direito depende tanto de regras gerais quanto de uma cultura de limites.

Quando agentes públicos deixam de sentir vergonha ao atravessar fronteiras institucionais, a lei passa a ser o mínimo a ser evitado, e não o guia.

O poder deixa de perguntar “devo?” para perguntar apenas “posso?”.

E quando esse deslocamento se consolida, a liberdade já começou a ser corroída, mesmo que nenhum artigo legal tenha sido ainda formalmente violado.

A ausência de vergonha é especialmente corrosiva porque antecipa a impunidade.

Antes mesmo de qualquer investigação, o gesto comunica: não reconheço limites que não estejam explicitamente sancionados.

É a ética do “se não é proibido segundo critérios que eu mesmo reconheça, subjetivamente, é permitido” aplicada ao poder coercitivo do Estado.

Rothbard denunciava precisamente esse ponto: o agente público que age como se o cargo lhe concedesse licença moral especial já não distingue autoridade de privilégio.

Ele não governa segundo regras; ele se move segundo conveniências.

O episódio do Banco Central revela, assim, menos um escândalo isolado e mais um traço civilizacional: a transformação da falta de pudor em normalidade administrativa.

O que antes exigiria explicação prévia hoje recebe apenas justificativa posterior.

Onde antes haveria silêncio embaraçado, agora há notas frias. A vergonha foi substituída pela assessoria; o limite, pela narrativa.

No fundo, o que inquieta não é apenas o que foi feito, mas a serenidade com que foi feito.

Uma ordem política pode sobreviver a erros. Dificilmente sobrevive à perda do senso de medida.

Quando autoridades já não sentem vergonha de agir fora do seu papel, a desmedida deixa de ser exceção e passa a ser método.

E então, como sabiam os gregos e repetiram os liberais, a queda não vem com estrondo: vem com naturalidade.

Pobre Brasil.

Diários

Crusoé n° 437: Sensação de Lava Jato

Redação Crusoé Visualizar

Caiado questiona se “Careca do INSS” é sócio de Flávio

Redação Crusoé Visualizar

Haddad fala em tirar "laranjas podres" do STF

Redação Crusoé Visualizar

Gonet deveria ficar quieto e sair de fininho

Duda Teixeira Visualizar

Fachin dá 24h para Mendonça levantar sigilos e enviar autos do caso Master

Guilherme Resck Visualizar

De Disney a Taylor Swift: como é barato corromper no Brasil

Duda Teixeira Visualizar

Mais Lidas

A PF no fogo cruzado do Supremo

A PF no fogo cruzado do Supremo

Visualizar notícia
As lições das Supremas Cortes Internacionais

As lições das Supremas Cortes Internacionais

Visualizar notícia
Caiado questiona se “Careca do INSS” é sócio de Flávio

Caiado questiona se “Careca do INSS” é sócio de Flávio

Visualizar notícia
Crusoé n° 437: Sensação de Lava Jato

Crusoé n° 437: Sensação de Lava Jato

Visualizar notícia
De Disney a Taylor Swift: como é barato corromper no Brasil

De Disney a Taylor Swift: como é barato corromper no Brasil

Visualizar notícia
Estrela sem brilho

Estrela sem brilho

Visualizar notícia
Gonet deveria ficar quieto e sair de fininho

Gonet deveria ficar quieto e sair de fininho

Visualizar notícia
Haddad fala em tirar "laranjas podres" do STF

Haddad fala em tirar "laranjas podres" do STF

Visualizar notícia
Pelo fim das cotas femininas nas eleições

Pelo fim das cotas femininas nas eleições

Visualizar notícia
Por que alguns homens públicos querem ser milionários?

Por que alguns homens públicos querem ser milionários?

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Alexandre de Moraes

STF

< Notícia Anterior

Zelensky detalha plano de paz americano

24.12.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Quem matou o pianista de Vinicius de Moraes?

24.12.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Dennys Xavier

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

Pedro Alcântara de Rezende Júnior

2025-12-25 08:18:45

Parabéns pelo texto. Nada a acrescentar, a não ser essa espécie de depressão cívica que nos leva a não acreditar em mais absolutamente nada. Pobre Brasil,concordo.Do esgoto agora, só mesmo o chorume.


Sandra Carvalho

2025-12-24 15:08:52

Infelizmente, é a pura verdade. O descaramento desses "ungidos" é assustador. Será ainda possível reverter esse processo?...


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

Pedro Alcântara de Rezende Júnior

2025-12-25 08:18:45

Parabéns pelo texto. Nada a acrescentar, a não ser essa espécie de depressão cívica que nos leva a não acreditar em mais absolutamente nada. Pobre Brasil,concordo.Do esgoto agora, só mesmo o chorume.


Sandra Carvalho

2025-12-24 15:08:52

Infelizmente, é a pura verdade. O descaramento desses "ungidos" é assustador. Será ainda possível reverter esse processo?...



Notícias relacionadas

Crusoé n° 437: Sensação de Lava Jato

Crusoé n° 437: Sensação de Lava Jato

Redação Crusoé
12.09.2026 08:02 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Caiado questiona se “Careca do INSS” é sócio de Flávio

Caiado questiona se “Careca do INSS” é sócio de Flávio

Redação Crusoé
11.09.2026 17:30 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Haddad fala em tirar "laranjas podres" do STF

Haddad fala em tirar "laranjas podres" do STF

Redação Crusoé
11.09.2026 15:29 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Gonet deveria ficar quieto e sair de fininho

Gonet deveria ficar quieto e sair de fininho

Duda Teixeira
11.09.2026 15:17 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso