Um petista dizendo que os juros não podem baixar "na marra"
"As contas precisam ser equilibradas, mas não pode ser cortando de quem mais precisa", afirmou o deputado Zeca Dirceu
O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR, foto), filho do ex-ministro José Dirceu, afirmou nesta segunda-feira, 2, que os juros têm que baixar, "mas não pode ser na marra".
A declaração vai na contramão do que defenderam Lula e o PT durante quase todo o terceiro mandato do atual presidente.
"As contas precisam ser equilibradas, mas não pode ser cortando de quem mais precisa", continuou o deputado em um longo texto no X.
"Equilíbrio fiscal é importante. Mas precisamos discutir de que equilíbrio estamos falando e, principalmente, quem vai pagar essa conta", acrescentou.
Para Zeca Dirceu, o mercado financeiro tem todo o direito de analisar a economia, apresentar suas expectativas e fazer críticas.
"O que não podemos aceitar é transformar essas avaliações em pressão permanente sobre o governo eleito, como se os interesses dos rentistas estivessem acima da vontade popular. A economia precisa servir ao desenvolvimento do país, não apenas à rentabilidade de quem vive de juros", afirmou.
"Também precisamos enfrentar uma contradição: juros elevados prejudicam empresas, dificultam investimentos, encarecem o crédito, aumentam o endividamento das famílias e freiam o crescimento", seguiu, dizendo que defender a redução dos juros não significa "ignorar a inflação ou abandonar a responsabilidade fiscal".
"Significa discutir uma política monetária que considere também o emprego, a produção, o consumo e o desenvolvimento nacional", afirmou.
O petista concluiu o texto, recomendando a leitura do artigo “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, do economista André Lara Resende, no qual propõe, entre outras coisas, a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional que seria responsável por definir metas de crescimento, inflação e juros para os próximos anos.
"Concordo com boa parte das reflexões e dos questionamentos que ele apresenta. Isso não significa concordar com tudo, muito menos com todas as soluções que propõe. Precisamos ter disposição para rever conceitos, confrontar ideias e construir alternativas. Não existe política econômica acima do debate democrático", finalizou.
Boulos quer gastar mais, e mais, e mais…
No domingo, 1º, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), rejeitou a pressão por um ajuste fiscal no próximo governo Lula. Em entrevista à Folha, ele classificou as cobranças do mercado por cortes de gastos como uma “chantagem”.
“Os governos Lula sempre tiveram equilíbrio fiscal. A diferença é que a gente não aceita ajuste fiscal que corta no SUS e na educação, o tesouraço que o Flávio propunha. Esse programa foi derrotado nas urnas. Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia”, afirmou.
Questionado sobre o crescimento da dívida pública, que passou de 71,7% para 82,5% do PIB entre o fim de 2022 e julho de 2026, Boulos comparou a situação brasileira à de outras economias e disse que o endividamento também aumentou nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na China.
“Mas algum desses países deixou de fazer um projeto de desenvolvimento nacional? Pelo contrário”, afirmou, ao contestar a pressão por medidas de contenção de gastos.
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