Pode convidar, mas Trump não vem
Nem o presidente, nem o vice JD Vance, nem o secretário de Estado Marco Rubio devem viajar para Brasília em janeiro do ano que vem
O governo Lula tem vazado para a imprensa que o presidente americano Donald Trump (foto) será convidado para participar da inauguração do quarto mandato do petista, no dia 5 de janeiro.
Pode convidar, mas Trump não virá.
Nunca um presidente americano viajou para o exterior para participar da posse de outro chefe de Estado ou de governo. Da mesma forma, os americanos não convidam chefes de Estado ou de governo de outros países para a posse do presidente americano, em Washington.
O costume é mandar uma delegação.
Às vezes, o vice-presidente participa dessa delegação.
Joe Biden, quando era vice de Barack Obama, veio para Brasília para participar da posse de Dilma Rousseff, em 2015.
Mas é improvável que JD Vance, o atual presidente, faça um gesto parecido.
JD Vance fala pouco de América Latina e, quando toca no assunto, sua preocupação é com segurança, imigração, México, Venezuela e Cuba.
"Latino-americano frustrado"
Quem entende de Brasil é o secretário de Estado Marco Rubio, que já fez várias críticas a Lula.
"Lembra quando Democratas e a imprensa liberal afirmavam que Lula era um aliado da 'democracia'? Eles deveriam lembrar que Lula está em busca do bem para si mesmo e do Brasil, mesmo que isso signifique se curvar ao regime genocida da China e receber o chanceler de uma nação que lidera uma guerra injustificada contra a Ucrânia", escreveu ele no X em 2024, um ano antes de se tornar secretário de Estado.
Durante a campanha, o petista desafiou Rubio a participar da campanha eleitoral brasileira.
"Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário, que monte um comitê e venha, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia desse país”, disse Lula.
Lula também o chamou de "latino-americano frustrado".
Sobraria, então, para o embaixador americano em Brasília assistir à celebração.
Mas o Brasil está segurando o agrément de Daniel Perez, indicado por Trump para comandar a Embaixada dos Estados Unidos.
O convite para Trump, portanto, é muito mais uma sinalização de que o Brasil está interessado em normalizar as relações bilaerais do que um pedido para que ele venha participar da festa petista.
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