Paes perde mais que uma eleição para Ruas
Derrota para Douglas Ruas atrapalha planos políticos para além da capital
A provável derrota de Eduardo Paes (PSD) para Douglas Ruas (PL) pode redefinir a carreira política do ex-prefeito do Rio.
Antes da eleição, Paes era cotado como um dos possíveis sucessores de Lula.
Com a iminente vitória de Ruas através da retotalização dos votos, já é possível afirmar que o tradicional político fluminense colecionou seu maior revés eleitoral.
Disciplina de Ruas
O estrategista político Roberto Reis atribui parte do insucesso de Paes à disciplina de Ruas em seguir a cartilha do bolsonarismo e as orientações dos marqueteiros.
Ruas não era um candidato conhecido entre o eleitorado fluminense e não era a primeira opção do PL.
“Eu trabalho há anos com campanha eleitoral e não tinha reparado algo tão forte. A força do bolsonarismo, com o discurso certo, o momento da direita e uma campanha muito disciplinada. Ele seguiu o que a campanha pediu a ele”, afirma.
Reis conta que a campanha de Ruas foi reforçada por marqueteiros que foram afastados da campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD).
“Garotinho, Rosinha e políticos mais tradicionais têm dificuldade de seguir à risca. Eles inventam. Ruas é novo, tem currículo pouco extenso e está seguindo a equipe de marketing. Essa equipe só ficou disponível porque Caiado expulsou a equipe dele em Goiás porque estava batendo no Flávio”, disse.
Rejeição e Lula
Ruas seguiu uma estratégia clara no debate da TV Globo, realizado menos de uma semana antes do pleito.
O candidato do PL nacionalizou a disputa estadual ao mencionar, por diversas vezes, o candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).
O ex-prefeito, porém, preferiu não responder às acusações de Ruas sobre seu apoio “escondido” ao presidente Lula (PT).
“Tem gente que recebe o Lula, faz agenda e não posta nas redes sociais. Eduardo Paes faz campanha para o Lula, fizeram uma carreata e ele sequer fez uma postagem”, disse Ruas.
Paes também herdou parte da rejeição ao presidente Lula (PT), seu aliado de chapa.
“Juntou a técnica, o momento de onda e acredito que o Eduardo Paes carregou muito da rejeição do Lula (...) O desgaste petista é ainda maior. As pessoas que estão ligadas ao Lula estão sofrendo mais do que ele. Se o cara não é um best-seller igual ao Lula, está sendo escorraçado”, afirmou Roberto Reis.
A tentativa de descolamento, porém, foi tardia.
Paes também enfrenta rejeição no interior do estado, ao contrário da capital.
Maior que 'fantasma Witzel'
As últimas duas semanas da eleição indicaram um crescimento de Ruas nas pesquisas.
Até então desconhecido do eleitorado estadual, o candidato do PL passou a participar de mais atos ao lado de Flávio e dos senadores eleitos Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL).
A rejeição a Garotinho também potencializou sua votação no domingo, 4.
Ruas terminou com 49,27%, ante 42,76% de Paes.
Em 2018, Paes também era amplo favorito contra o ex-juiz Wilson Witzel, então candidato pelo PSC.
Apoiado por Jair Bolsonaro (PL), Witzel acabou superando Paes e foi eleito com 59% dos votos válidos, contrariando as pesquisas divulgadas à época.
Futuro de Paes
Mais do que uma derrota eleitoral, o resultado representa uma ruptura com o cenário político que se desenhava no Rio antes da campanha.
O ex-prefeito iniciou a disputa como um dos nomes cotados para suceder Lula e termina derrotado por um candidato que, até poucos meses atrás, era desconhecido de boa parte do eleitorado fluminense.
Paes terá agora de lidar com o maior revés de sua trajetória recente.
A derrota também expõe o desafio do ex-prefeito para além da capital.
A força política construída ao longo de seus mandatos à frente da Prefeitura do Rio não foi suficiente para impedir o avanço do bolsonarismo no restante do estado.
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