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Os 50 anos do golpe contra Salvador Allende no Chile

10.09.23 16:44

Neste dia 11 de setembro, completam-se 50 anos do golpe de Estado contra Salvador Allende no Chile. Em meio à tomada do Palacio de la Moneda, a sede do Executivo, pelos militares, Allende se matou com um tiro, usando um fuzil AK-47 que ganhou de Fidel Castro. “Foi com propósito e premonição que nós lhe oferecemos esse fuzil automático. Nunca um fuzil foi empunhado por mãos tão heroicas“, disse depois o ditador cubano.

Cinco décadas depois, a figura de Allende tem sido usada pelo presidente Gabriel Boric (foto), que tenta ganhar um pouco mais de aprovação popular emprestando um pouco da imagem do presidente socialista. A tentativa, contudo, não tem dado muito certo.

Uma pesquisa Plaza Pública, divulgada no final de junho, mostrou que apenas 23% dos chilenos dizem ter uma visão positiva do governo de Allende. O índice é pior que o do ditador Augusto Pinochet, que é visto positivamente por 27%.

Eleito democraticamente em 1970, Allende teve como projeto de governo o estabelecimento de uma nova experiência socialista no século 20, por meio de uma vitória nas urnas ao invés de uma conquista pelas armas“, diz Victor Missiato, analista político, doutor em história política e professor do Colégio Presbiteriano Mackenzie, em Tamboré, e autor do livro Caminhos invertidos: o comunismo no Brasil e no Chile. “Contudo, não havia um consenso em torno da interpretação do que seria a “via chilena ao socialismo””.

O governo de Allende foi marcado por tomadas de fábricas e fazendas por trabalhadores, sem pagamento de qualquer compensação, desabastecimentos, greves, atentados terroristas e uma tentativa de mudar o conteúdo das escolas e a presença de cubanos armados fazendo a segurança pessoal de Allende.

O general Augusto Pinochet, que participou do golpe, iniciou uma ditadura cruel, que começou prendendo, torturando e matando milhares de pessoas, sem qualquer julgamento prévio. No final de agosto, Boric colocou em ação um plano para encontrar os restos mortais de 1.159 pessoas desaparecidas na ditadura.

Tanto a ditadura de Pinochet como o breve e conturbado governo de Allende marcaram negativamente o Chile, em aspectos diferentes. O ex-candidato de da direita radical José Antonio Kast já chegou a elogiar Pinochet, mas depois evitou fazer declarações do tipo. Boric, contudo, fará o possível para tentar melhorar a imagem de Allende, buscando algum dividendo político.

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  1. As ideologias matam inocentes mas toda nação tem direito de livremente fazer seu contrato social que deve ser obedecido para o bem comum e a paz .. as ideologias em insana luta uma escraviza e tira a liberdade bem maior da humanidade, a outra esmaga pelo poder econômico e em vez de equilibrar semi-escraviza, humilha com reservas de indigentes sobras do trabalho que viram párias, é o que ocorre nos países colonizados sem cultura dominados por déspotas e criminosos ... e o pior está por vir !!!

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