Operação Flavinho Paz e Amor
Pré-candidato quer se distanciar do legado de seu pai, que era próximo dos militares, criticava o Carnaval e os homossexuais
O senador Flávio Bolsonaro (na imagem de inteligência artificial) e seus aliados iniciaram uma campanha para atenuar a imagem do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O objetivo é convencer eleitores moderados e avessos ao radicalismo de direita para vencer a eleição presidencial deste ano.
O gesto repete o movimento feito por Lula em 2002. Naquele ano, com ajuda do marqueteiro Duda Mendonça, o petista botou terno e gravata e tentou se mostrar como uma pessoa mais moderada, que não apoiaria mudanças drásticas na economia.
Militares
O primeiro movimento da turma de Flávio foi tentar mostrá-lo como alguém distante dos militares.
Faz todo sentido, uma vez que seu pai, Jair Bolsonaro, foi condenado à prisão depois de ter se reunido com os comandantes das três forças armadas, insatisfeito com a vitória de Lula nas eleições de 2022.
Carnaval
Ao comentar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que foi rebaixada após homenagear Lula na Marquês de Sapucaí, Flávio tentou mostrar que gosta de Carnaval.
"Carnaval não é só a festa. É muito trabalho também. É um exemplo de como o Brasil pode ser criativo, mesmo com pouco. Parabéns a todos que se dedicaram o ano inteiro para que essa festa pudesse acontecer. É essa força e essa criatividade que vão nos ajudar a romper as amarras que hoje impedem o Brasil de crescer", disse o senador.
É uma postura bem diferente da de seu pai, que publicou nas redes a famosa "golden shower" e frequentemente reclamou de artistas que participavam da festa e eram pagos "com dinheiro do povo".
Gays
Há até uma tentativa de aproximar Flávio Bolsonaro da comunidade LGBT.
Na terça, 17, seu irmão Eduardo Bolsonaro compartilhou a publicação de João Pedro Sastre, que se identifica como "gay de direita" e é pré-candidato a deputado por São Paulo.
Em uma imagem feita por inteligência artificial, Flávio recebe um beijo na bochecha de João Pedro.
"Tá confirmado. Flávio apoia a liberdade de todos. Vocês já ouviram alguma fala homofóbica de Flávio? Marque um LGBT para conhecer nosso futuro presidente", diz a mensagem.
Em vários comentários na imagem, Eduardo Bolsonaro pede para que outros bolsonaristas compartilhem a publicação.
Mais uma vez, a postura vai na contramão do pai, que no documentário Stephen Fry: Out There afirmou que “nenhum pai tem orgulho de ter um filho gay” e que “a sociedade brasileira não gosta de homossexuais”.
O Lulinha Paz e Amor funcionou em 2002 e foi retomado com sucesso em 2006 e 2022.
Para as eleições deste ano, contudo, Lula chegou a dizer que "não tem essa mais de ‘Lulinha Paz e Amor’. Não tem essa mais. Essa eleição vai ser uma guerra".
Agora é a vez de Flávio Bolsonaro testar suas chances no campo da moderação.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)