Onde estão os bilhões congelados do Irã
Teerã tenta recuperar ativos bilionários congelados em bancos estrangeiros após décadas de sanções lideradas pelos Estados Unidos
Mais de 100 bilhões de dólares pertencentes ao Irã permanecem espalhados por bancos e contas no exterior, inacessíveis ao governo iraniano há anos. O destino desse dinheiro se tornou uma das peças mais sensíveis das negociações que buscam encerrar o conflito entre Teerã e Washington.
Um levantamento do Wall Street Journal detalha onde estão concentrados os recursos e por que sua liberação se transformou em um tema decisivo nas conversas diplomáticas.
Segundo o jornal, a China é hoje o principal local associado aos recursos iranianos bloqueados. As estimativas variam entre 20 bilhões e 50 bilhões de dólares. Outros valores estão distribuídos em países da Ásia e do Oriente Médio, resultado de décadas de sanções impostas pelos Estados Unidos e por seus aliados.
Outras quantias relevantes estão espalhadas pela Ásia e pelo Oriente Médio. O Iraque concentra cerca de 15 bilhões de dólares. A Índia mantém aproximadamente 7 bilhões, enquanto outros 7 bilhões estavam originalmente bloqueados na Coreia do Sul antes de serem transferidos para contas controladas no Catar, que hoje abriga cerca de 6 bilhões de dólares.
O Japão guarda aproximadamente 3 bilhões de dólares do Irã. Outros 2 bilhões de dólares estão nos Estados Unidos e valor semelhante permanece em Luxemburgo. Há ainda cerca de 1 bilhão de dólares em Omã, além de recursos menores cuja localização não é divulgada de forma detalhada por autoridades e instituições financeiras.
Os valores conhecidos representam apenas parte do total estimado. Uma parcela dos recursos permanece em contas e estruturas financeiras cuja localização exata não é divulgada publicamente.
A dispersão geográfica dos recursos é consequência direta das sanções impostas ao longo de várias décadas. Em muitos casos, compradores de petróleo iraniano depositaram os pagamentos em contas locais, onde o dinheiro permaneceu bloqueado ou sujeito a severas restrições de uso.
A recuperação desses recursos se transformou em uma das exigências centrais de Teerã. O general iraniano Mohsen Rezaei, assessor sênior da liderança do país, afirmou à CNN que "24 bilhões de dólares não são muito para a América" e argumentou que os valores pertencem ao próprio povo iraniano. A declaração foi dada durante as negociações entre Teerã e Washington.
Do lado americano, a posição tem sido mais cautelosa. O presidente Donald Trump declarou ao Wall Street Journal que o Irã não receberia dinheiro em espécie no acordo, indicando que qualquer acesso aos recursos dependeria do cumprimento de compromissos assumidos por Teerã.
Estimativas citadas por diferentes fontes indicam que os ativos congelados equivalem a uma parcela expressiva da economia iraniana. Por isso, mesmo uma liberação parcial dos recursos teria potencial para aumentar a disponibilidade de divisas e aliviar algumas das restrições financeiras enfrentadas pelo país após anos de sanções.
As negociações entre Teerã e Washington seguem em curso, com propostas de liberação faseada de até 24 bilhões de dólares como teste inicial de confiança. Do lado americano, qualquer acesso aos recursos continua condicionado ao cumprimento verificável de compromissos assumidos por Teerã.
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