O que André Marinho já falou sobre o bolsonarismo
"O bolsonarismo substituiu uma aliança liberal-conservadora por uma seita personalista, em torno de um caudilho", disse Marinho em 2022
O humorista e apresentador André Marinho (foto) lançou sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro pelo partido Novo.
Em um vídeo feito para as redes sociais em que aparece ao lado do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente, Marinho afirma que pretende reeditar a parceria com a família Bolsonaro de 2018, quando Jair foi vencedor nas urnas.
O pai de Marinho, Paulo, era aliado de Jair Bolsonaro e cedeu sua casa para o comitê de campanha em 2018.
"Foi dentro da minha casa que vimos grande parte daquela história ser escrita. Foi ali que o destino nos ensinou a jamais duvidar do impossível, porque às vezes é justamente o mais provável de acontecer", escreveu Marinho em sua publicação no Instagram.
"Muita coisa aconteceu depois, e ninguém vai fingir que não teve peso. Mas, agora, fizemos uma escolha: olhar para a frente!", afirmou.
"Embora os ecos do passado ainda existam, foi o próprio Flávio quem, há dois anos, nos procurou para distensionar os ruídos e virar aquela página, revelando muito antes de tudo o papel conciliador, sereno e pacificador que hoje o Brasil inteiro já começa a enxergar nele."
Olhar para o passado
Quando Flávio e Marinho afirmam querer olhar para a frente, eles querem que os eleitores esqueçam ou relativizem tudo o que aconteceu no passado.
Mas Marinho foi um crítico muito sagaz do bolsonarismo no passado, e suas ponderações não deveriam ser esquecidas.
Em entrevista para Crusoé em 2022, ele falou de seu livro O Brasil (não) é uma piada e afirmou:
"O bolsonarismo foi uma válvula de escape para várias correntes que permeavam a sociedade brasileira, mas que ainda precisavam de um representante para vocalizá-las. Ao assumir essas crenças, ele [Jair Bolsonaro] levou para o tatame do vale-tudo uma visão maniqueísta do Bem contra o Mal", afirmou Marinho.
"Bolsonaro se considera um ungido de Deus, cuja missão é redimir todos os problemas desse público. Essa sua atuação destruiu o que era uma pauta idealista da nova direita, que pedia o fim do foro privilegiado, queria a prisão após condenação em segunda instância e afirmava não ter políticos de estimação."
"No lugar desses conceitos, agora existe um culto à personalidade do grande líder, cujos seguidores estão dispostos a todo tipo de pirueta para justificar o injustificável. O bolsonarismo substituiu uma aliança liberal-conservadora por uma seita personalista, em torno de um caudilho", disse Marinho.
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