Ninguém virou voto
Dados de aprovação do governo Lula e de intenção de voto variaram muito pouco desde o primeiro turno
O mundo da notícia não para.
O debate na Bandeirantes entre Lula e Flávio Bolsonaro no domingo, 18, bateu recorde de audiência e superou o programa Fantástico, da Globo.
Áudios divulgados pela revista Veja mostraram Daniel Vorcaro, do banco Master, declarando ter enviado dinheiro para a produção de um documentário sobre Lula, feito pelo cineasta Oliver Stone.
A lobista Roberta Luchsinger abriu a boca e passou a reclamar do presidente, que a chamou de "Vorcaro feminino" e "pilantra".
PT e bolsonarismo realizaram manifestações multitudinárias na Avenida Paulista, em São Paulo.
Márcio Canella, que quase foi o candidato do PL ao Senado no Rio de Janeiro, foi acusado de lavagem de dinheiro e preso preventivamente.
O PT comprou briga com a Meta, plataforma de redes sociais, alegando que a empresa prejudica Lula.
Para quem está envolvido na política, parece que nada será como antes após a última notícia, com pessoas mudando de opção ou se convencendo a ir votar.
Mas as coisas não funcionam bem assim.
A avaliação que os brasileiros fazem do governo Lula segue inalterada.
Antes do primeiro turno, 46% diziam que o governo é "ruim" e "péssimo", enquanto 35% achavam "ótimo" e "bom". Uma diferença de onze pontos.
Na última medição do Lulômetro, tracking diário feito pela Realtime Big Data em parceria com O Antagonista, o governo Lula era visto como "ruim" e "péssimo" por 48% e "bom" e "ótimo" por 35%. A diferença ficou em treze pontos.
As intenções de voto também seguem praticamente iguais no agregador de pesquisas PollingData.
No dia anterior ao primeiro turno, em 3 de outubro, Flávio tinha 46,2% e Lula, 45,2%.
As urnas deram 47,03% para Flávio e 45,13% para o petista.
Nesta segunda-feira, 19 de outubro, Flávio tem 46,8% e Lula, 45,9%.
Entre os que esperam grandes mudanças, aumenta a desconfiança com as pesquisas.
Mas a tendência é de que elas se aprimorem após o primeiro turno.
"Alguns institutos fazem um ajuste após o primeiro turno e passam a perguntar para as pessoas em quem elas votaram nessa fase. Isso tende a melhorar consideravelmente a qualidade das estimativas da pesquisa, principalmente de intenção de voto, pois, como pode imaginar, o voto no primeiro turno é extremamente correlacionado com o voto no segundo turno", diz Raphael Nishimura, especialista em estatísticas na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
Quando a PollingData exclui as simulações de segundo turno, feitas antes do primeiro turno, o resultado fica 48,1% para Flávio e 46,1% para Lula.
Considerando só votos válidos: Flávio com 51,1% e Lula com 48,9%.
A expectativa em torno de uma oscilação grande da taxa de abstenção, para cima ou para baixo, também costuma ser mais pensamento mágico do que realismo.
"Em um nível macro, o que costumamos observar historicamente é que as pessoas que não votaram no primeiro turno dificilmente reaparecem no segundo", diz Nishimura.
Claro que, em uma eleição muito disputada, pequenas alterações podem ser muito importantes.
Mas a chance de que o segundo turno no próximo domingo repita o primeiro é muito alta.
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