Debate expôs "escassez total" de propostas contra a corrupção, diz TI Brasil
ONG enviou carta-compromisso a Lula e Flávio com propostas concretas para fortalecer a integridade pública, a transparência e a democracia
A ONG Transparência Internacional - Brasil afirmou nesta segunda-feira, 19, que o debate da Band expôs a "escassez total" de propostas contra a corrupção de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A entidade enviou uma carta-compromisso a Lula e Flávio com propostas concretas para fortalecer a integridade pública, a transparência e a democracia.
Segundo a TI Brasil, o debate demonstrou a lacuna "de forma particularmente clara".
"Durante todo um bloco e ao longo do debate, os candidatos trocaram múltiplas acusações sobre episódios de corrupção, escândalos e suspeitas mútuas. No entanto, nenhuma medida concreta de prevenção, transparência, fortalecimento institucional ou aperfeiçoamento do sistema anticorrupção foi debatida ou sequer apresentada", afirmou.
"O Brasil assistiu a um debate sobre corrupção sem ouvir propostas contra a corrupção. Viu um debate sobre culpados, não sobre soluções. O combate à corrupção não pode existir apenas como ataque político. Precisa existir como agenda de governo. Esta carta-compromisso que lançamos hoje pretende ajudar a preencher essa lacuna e oferecer aos eleitores critérios objetivos para avaliar o que cada candidatura propõe e como se compromete a enfrentar um dos problemas que mais prejudicam o desenvolvimento do país", disse o diretor-executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão.
O documento reúne propostas voltadas ao fortalecimento da transparência pública, proteção do espaço cívico, aperfeiçoamento do sistema de justiça, reforma dos processos de nomeação para tribunais superiores e agências regulatórias, combate à lavagem de dinheiro, integridade fiscal, controle das emendas parlamentares e proteção das instituições democráticas.
"Conhecer o histórico dos candidatos é fundamental, mas o enfrentamento à corrupção exige compromissos claros sobre o futuro. A população tem o direito de saber o que cada candidato se compromete a fazer para reduzir a corrupção e cobrá-los por isso nos próximos quatro anos. A democracia brasileira precisa discutir corrupção não apenas como escândalo, mas como política pública", disse Brandão.
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