Netanyahu trava cessar-fogo entre EUA e Irã?
Israel lançou sua maior ofensiva contra o Hezbollah no sul do Líbano; Irã retalia com fechamento de Ormuz
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o Líbano e o grupo terrorista Hezbollah não fazem parte do acordo de cessar-fogo de duas semanas com o Irã anunciado na noite de terça, 7.
Na manhã desta quarta, 8, Israel lançou o maior ataque coordenado contra alvos ligados ao Hezbollah no subúrbio de Beirute.
Ao todo, mais de 100 posições foram atingidas em menos de dez minutos na capital libanesa.
Acordo frágil
A declaração de Trump, no entanto, contrasta com a posição do Paquistão, principal mediador do acordo.
Autoridades paquistanesas sustentam que a trégua também abrange a frente no sul do Líbano.
Diante do impasse, Trump terá de convencer Israel a interromper a ofensiva na região.
O governo israelense, por sua vez, considera o sul do Líbano uma frente estratégica histórica e defende a criação de uma zona de segurança.
O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, afirmou que as operações militares contra o Hezbollah continuarão.
"A operação no Líbano continua. O cessar-fogo não se aplica ao Líbano", disse.
Já o ministro da Defesa, Israel Katz, enviou um recado direto ao líder do grupo, Naim Qassem: “Sua vez chegará”.
A fala faz referência à eliminação de Hassan Nasrallah, em 2014.
Fragilidade
O acordo de cessar-fogo já nasceu com fragilidades.
Os Estados Unidos reivindicam vitória e afirmam ter destruído grande parte da capacidade militar iraniana.
Menos de 24 horas depois, porém, o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz.
O regime iraniano atribuiu a medida à suposta violação do cessar-fogo por parte de Israel, em ações contra o Hezbollah.
Teerã também declarou vitória após a trégua com Washington. Em comunicado, o governo afirmou ter imposto uma “derrota histórica” aos Estados Unidos e forçado a aceitação de seus termos.
"O inimigo, em sua guerra injusta, ilegal e criminal contra a nação iraniana, sofreu uma derrota inegável e histórica. Graças ao sangue puro e bendito do líder mártir da Revolução Islâmica, sua eminência, o grande aiatolá imã Aiatolá Khamenei (que a paz esteja com ele) e às sábias diretrizes do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e ao esforço e valentia dos combatentes do islã em às frentes (…) Irã alcançou uma grande vitória e obrigou os Estados Unidos, criminoso, a aceitar seu plano de dez pontos”, afirmou.
Nos próximos dias, representantes dos países devem se encontrar em Islamabad, capital paquistanesa, em busca de um acordo mais duradouro.
Resta saber se Washington e Teerã conseguirão sustentar os compromissos assumidos — e se Israel estará disposto a aderir a eles.
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