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Diários

Netanyahu pede indulto por "unidade nacional"

Premiê israelense enfrenta acusações de suborno, fraude e abuso de confiança

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João Pedro Farah
4 minutos de leitura 30.11.2025 09:06 comentários 0
Netanyahu pede indulto por "unidade nacional"
Foto: Reprodução
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apresentou seu pedido de indulto ao presidente Isaac Herzog neste domingo, 30.

Em vídeo divulgado no X, Netanyahu afirmou que o gesto atende ao "interesse nacional". 

Ele responde a acusações de suborno, fraude e abuso de confiança em três processos.

“Já se passaram quase dez anos desde que as investigações contra mim começaram. O julgamento dessas questões já dura quase seis anos e a expectativa é que continue por muitos mais anos", afirmou Netanyahu.

Netanyahu alegou ainda que está cada vez mais claro que “crimes graves” teriam sido cometidos na condução do caso contra ele.

O premiê acrescentou que o encerramento imediato do processo “ajudaria a acalmar os ânimos e promover uma ampla reconciliação, algo de que nosso país precisa desesperadamente”.

“Israel enfrenta enormes desafios, e ao lado deles grandes oportunidades. Para repelir as ameaças e aproveitar as oportunidades, é necessária a unidade nacional”, argumenta ele, afirmando que a continuação do julgamento “nos divide por dentro. Ela fomenta divisões e aprofunda as fissuras. Estou certo, assim como muitos outros no país, de que o fim imediato do julgamento ajudaria muito a acalmar os ânimos e promover uma ampla reconciliação — algo de que nosso país precisa desesperadamente.”

Netanyahu cita Trump

No vídeo, Netanyahu citou o apelo de Trump pedindo um "perdão total" a ele.

Em 12 de novembro, o republicano publicou um longo texto em defesa do aliado israelense.

Ele destacou a liderança do primeiro-ministro na guerra contra o grupo terrorista Hamas e o Irã.

"Por meio deste, peço que conceda o perdão total a Benjamin Netanyahu, que foi um primeiro-ministro formidável e decisivo em tempos de guerra e que agora está conduzindo Israel a um período de paz, o qual inclui meu trabalho contínuo com importantes líderes do Oriente Médio para adicionar muitos outros países aos Acordos de Abraão, que estão mudando o mundo. O primeiro-ministro Netanyahu defendeu Israel com firmeza diante de adversários fortes e grandes dificuldades, e sua atenção não pode ser desviada desnecessariamente", escreveu.

Trump disse respeitar o sistema judiciário israelense, mas classificou as acusações contra Netanyahu como “perseguição política e injustificada”.

"Embora eu respeite absolutamente a independência do sistema judiciário israelense e suas exigências, acredito que este caso contra Bibi, que lutou ao meu lado por muito tempo, inclusive contra o temível adversário de Israel, o Irã, é uma perseguição política e injustificada", afirma.

"É hora de permitir que Bibi se una a Israel, concedendo-lhe o perdão e pondo fim à guerra jurídica de uma vez por todas."

Indulto

De acordo com a legislação israelense, o presidente tem o poder "de conceder indulto a criminosos e reduzir ou alterar suas penas".

O Supremo Tribunal de Justiça, porém, já decidiu que o presidente pode conceder indulto antes da condenação apenas em casos de interesse público.

O indulto também precisaria ser solicitado pelo acusado ou por um parente próximo.

Presentes

Em 2020, Netanyahu começou a ser julgado e se declarou inocente em todos os casos.

O primeiro envolve presentes e brindes valiosos recebidos pelo então ministro das Comunicações e por sua esposa, Sarah, dos amigos abastados Arnon Milchan e James Packer.

Eles presentaram Netanyahu com caixas de charutos e garrafas de champanhe caros, além de joias para Sarah.

O premiê foi acusado de ter auxiliado Milchan em assuntos ligados aos interesses comerciais do amigo.

Jornal

O segundo caso trata de conversas gravadas que Netanyahu teve com Arnon “Noni” Mozes, presidente e editor do Yedioth Ahronoth, um dos maiores jornais em circulação em Israel e visto como crítico ao primeiro-ministro.

Eles debateram a possibilidade de diminuir a circulação do jornal concorrente Israel Hayom, visto como simpático a Netanyahu e pertencente a seu amigo Sheldon Adelson, em troca da contratação de jornalistas que direcionariam o Yedioth a ser mais favorável a ele.

Mozes foi acusado de tentativa de suborno.

Relação com grupo Bezeg

O terceiro caso se refere ao relacionamento do conglomerado de telecomunicações Bezeq com o seu regulador, o Ministério da Comunicações, então chefiado por Netanyahu.

A acusação envolve falsificação de documentos que teriam levado a transações comerciais de interesse do proprietário do Bezeq, Shaul Elovitch, em troca de relatórios favoráveis de Netanyahu para o Walla!, portal popular de notícias, compras on-line e outros serviços.

Netanyahu nega todas as acusações.

Leia mais: Trump pede "indulto total" a Netanyahu

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