Milei usa insultos como arma política
Presidente argentino publica 171 mensagens por dia, em média. De cada seis, uma contém xingamento
O presidente da Argentina, Javier Milei (foto), compartilhou no domingo, 9, uma publicação que chamava o presidente Lula de "porco".
A mensagem original foi escrita pelo deputado republicano dos Estados Unidos Carlos A. Giménez.
“Os brasileiros merecem muito mais do que esse porco”, escreveu Giménez.
O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, tinha falado em uma entrevista ao jornal Clarín que Milei deveria cessar imediatamente com suas agressões.
O apelo não funcionou.
Milei não vai pedir desculpas nem parar de atacar o petista, por vários motivos.
O primeiro é que xingar é uma das características mais marcantes do presidente argentino.
Milei, um professor de economia na Universidade de Belgrano com dificuldades financeiras, tornou-se conhecido do grande público argentino como comentarista de televisão, insultando diversas pessoas com palavras de baixo calão.
Já como presidente, em agosto de 2025, Milei prometeu parar de insultar outras pessoas.
"Vou fazer o seguinte: vou parar de usar insultos para ver se vocês estão em condições de discutir ideias", afirmou ele em um evento da Fundação Faro, próxima do presidente.
Mas a natureza falou mais alto.
Um estudo da organização civil Fopea, que promove o jornalismo e a liberdade de expressão, mapeou a estratégia de insultos de Milei.
O presidente publica 171 mensagens por dia. A maior parte delas é de compartilhamentos de outros textos, escritos por outras pessoas.
De cada seis mensagens, uma contém um insulto.
O mais frequente é "kuka", usada para denominar os peronistas kirchneristas.
A maior parte dos insultos entra na categoria estigmatizante: criminoso, violento, mentiroso, corrupto, nefasto, delinquente, degenerado, terrorista, cúmplice, ladrão.
Outra grande parte é formada por insultos depreciativos: gordo, idiota, woke, louco.
"El Loco", aliás, foi o apelido que Milei ganhou quando começou a proferir insultos na televisão.
Nas vezes em que Milei publica mensagens sobre jornalistas, em 70% aparecem xingamentos.
Com esses ataques seguidos, a reação de muitos jornalistas foi a autocensura.
Para não se tornarem vítimas, eles evitam fazer críticas a Milei.
Políticos e autoridades têm seguido o mesmo caminho, o que acaba por rebaixar a liberdade de expressão na Argentina como um todo.
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