María Corina merece um segundo Nobel da Paz
O desprendimento da venezuelana ao dar o Nobel para Trump pode incomodar os fãs do Nobel, mas só reforça seu comprometimento com a causa da Venezuela
A venezuelana María Corina Machado (foto) deu ao presidente americano Donald Trump a medalha do prêmio Nobel da Paz na quinta, 15.
O gesto é uma desfeita ao comitê noruguês do Nobel, que homenageou ela, e não Trump.
Mas o presente incomum dado a Trump só reforça a grandiosidade de María Corina.
Ao contrário de Trump e da grande maioria dos políticos da América Latina e do mundo, María Corina não é vaidosa e não está na política para benefício próprio.
Tudo o que ela faz é pelos venezuelanos que querem viver em paz e em democracia.
Após encontrar-se com Trump na Casa Branca, ela afirmou novamente: "Eu sou parte de um processo".
Os discursos de María Corina são todos nessa linha.
Quando ela foi impedida pelo regime do ditador Nicolás Maduro de concorrer às eleições de 2024, María Corina abraçou a candidatura de Edmundo González e acompanhou o processo até o fim.
María Corina sabe que ela e os venezuelanos dependem de Trump.
Não foram os agrados entre Lula e Maduro que iniciaram uma transição na Venezuela.
O que alterou o cenário e permitiu a libertação de presos políticos foi uma ação militar ordenada por Donald Trump no dia 3 de janeiro.
María Corina quer voltar à Venezuela e sabe que só Trump pode dar a garantia de que ela continuará viva e livre, mesmo de volta ao seu país.
Só Trump pode obrigar o atual regime, comandado pela presidente interina Delcy Rodriguez, a não prender María Corina e a agendar novas eleições em algum momento no futuro.
Se María Corina tiver liberdade para continuar falando o que pensa dentro da Venezuela, a oposição terá boas chances de se reorganizar e de se fortalecer.
E o Nobel da Paz não muda de dono só porque a medalha mudou de mãos.
María Corina continuará sendo a agraciada, só que a medalha ficará pendurada na Casa Branca ou em Mar-a-Lago, na Flórida.
E, com isso, María Corina quer que Trump não largue a causa dos venezuelanos.
O desprendimento de María Corina ao dar o Nobel para Trump pode incomodar os fãs do Nobel, mas só reforça seu comprometimento com a causa da Venezuela.
Leia em Crusoé: A grandiosidade de María Corina
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