Lula se rende ao celular que já chamou de “doença”
Petista recorre aos vídeos selfies para tentar reverter cenário eleitoral
O presidente Lula (PT) precisou apelar ao celular para tentar reverter o cenário negativo do primeiro turno das eleições.
Nas redes sociais, ele começou a divulgar vídeos em formato de selfie para criticar a posição do adversário, Flávio Bolsonaro, sobre o fim da escala 6x1.
Lula também gravou recados direcionados aos 33 milhões de eleitores que se abstiveram.
"Eu tenho que falar nas redes, no celular. Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas. Mas o pessoal me enche o saco. Faz uma selfie, eu não gosto. Hoje, eu resolvi fazer."
O petista, contudo, está longe de ser um adepto do aparelho telefônico.
Lula não tem celular e precisa de um assessor para fazer contato com outras pessoas.
A primeira-dama, Janja da Silva, sempre foi a encarregada de gravar vídeos em primeira pessoa.
"Doença"
Há um ano, Lula classificou o uso excessivo do celular como uma “doença”.
"Eu sempre achei que parente bom era aquele que a gente via uma vez por mês, mas agora não. É toda noite um 'zap' de ‘boa noite, querido’, ‘bom dia, querido’. É toda hora. 'O que você almoçou? O que você comeu?' Não sei para quê tanta conversa", disse durante o congresso do PCdoB em Brasília.
O petista afirmou que “ninguém precisa ficar segurando o telefone na mão o tempo inteiro” porque “não tem o que falar toda hora”.
"Todo mundo, antes de dormir, quer ver as últimas notícias. E quando acorda às seis da manhã, em vez do marido dar um cheiro na mulher e a mulher dar um cheiro no marido, cada um pega o celular."
Bronca por celular
Durante um evento do PAC, Lula chegou a dar uma bronca em ministros por causa da distração com os aparelhos.
Ele afirmou que o uso excessivo indica que as mentes estão em outro lugar.
Segundo Lula, a humanidade vive “o primeiro momento da história em que as pessoas não estão onde fisicamente se encontram”.
Comunicação
A mudança na comunicação é um aceno ao eleitorado jovem e uma tentativa de transmitir uma imagem de proximidade.
A ideia partiu do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
Mas, assim como as declarações fortes contra o crime organizado, o movimento mostra a tentativa da campanha de Lula de se adaptar a um eleitorado que já não se comunica da mesma forma que ele.
Lula não gosta de celular.
E mudar o formato da comunicação não significa, necessariamente, mudar a percepção do eleitor sobre o presidente.
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