Lula resgata "fiscais do Sarney" ao botar PF nos postos
Presidente instrumentaliza Polícia Federal em ação que não terá qualquer efeito prático, mas que tem o objetivo de aumentar suas chances de reeleição
Preocupado com a eleição este ano, o presidente Lula mandou nesta sexta, 27, a Polícia Federal (PF) conter os preços da gasolina e do diesel nos postos de combustíveis.
A operação ganhou o nome de Vem Diesel, um trocadilho infame com o nome do ator Vin Diesel, mais conhecido pela franquia de filmes Velozes e Furiosos.
Não vai dar certo.
Os preços da gasolina e do diesel não sobem por causa da cobiça dos donos de postos de gasolina.
Eles sobem porque o petróleo é uma commodity que está com os preços em alta no mundo todo, por causa da guerra no Irã.
"A medida de Lula está fadada ao fracasso, ainda que, em diversos casos, os aumentos irregulares tenham iniciado antes mesmo dos repasses da Petrobras", diz o economista Jason Vieira, economista-chefe da Lev Intelligence.
Achar que mandar a PF aos postos pode evitar uma inflação não só demonstra um desconhecimento dos funcionamentos da economia, como também da história.
Nunca a pressão em cima dos vendedores de produtos conseguiu aplacar o dragão da inflação.
Nos congelamentos de preços tão comuns no passado de Brasil e Argentina, o efeito sempre foi a redução do investimento, o aumento dos estoques e, em seguida, mais inflação.
Em 1986, o presidente José Sarney lançou o Plano Cruzado. Ele pediu que os brasileiros fiscalizassem os preços nos supermercados para impedir a inflação.
Muitos ingênuos levaram para os supermercados uma tabela feita pela Superintendência Nacional de Abastecimento, a Sunab, para conferir os valores e denunciar os comerciantes, se fosse preciso.
Resultado: os produtos sumiram das prateleiras e os preços aumentaram.
O que Lula está fazendo agora é ainda pior, porque usa uma instituição sobrecarregada com seus próprios afazeres para participar de seu projeto pessoal de poder, que é ficar mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Não é função da PF intimidar donos de postos de gasolina, nem conter a inflação.
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